Curitiba - A violência, a princípio de uma gratuidade que choca até os mais incautos, é o tema abordado pelo londrinense Mário Bortolotto em ''Brutal''. O texto escrito em 2002 ganhou leitura cênica dirigida pelo curitibano Paulino Maia e abre hoje a série de textos que serão apresentados no Ciclo de Leituras 2005, promovido pelo Centro Cultural Teatro Guaíra, em Curitiba. Além de Bortolotto, o ciclo traz outros 17 autores que têm em comum o fato de apresentarem temas sociais debatidos na atualidade. Alguns dos textos dos escritores nacionais, argentinos, norte-americanos e europeus, para citar alguns, serão mostrados pela primeira vez ao público. É uma oportunidade de conhecer uma parcela do que está sendo feito na dramaturgia contemporânea.
Os textos serão apresentados até dezembro, duas vezes por mês e foram selecionados pelo diretor Fernando Kinas. Radicado em São Paulo há três anos, o diretor conta que um dos critérios da escolha foi a época em que os textos foram escritos. ''Foram selecionados textos publicados nos últimos 15 anos'', revela. Autores contemporâneos que ainda não se tornaram ''clássicos'', conforme aponta o diretor, também foram levados em conta. No Ciclo aparecem desde autores nacionais, relativamente conhecidos, como Bortolotto, até escritores que ainda não ganharam o gosto do público, tanto por falta de divulgação adequada, quanto pela limitação do alcance de textos para teatro.
Ainda este mês (dia 31) será apresentado ''Parasitas'', texto de Marius Mayenburg, premiado pela Fundação de Autores de Franfurt. O texto ganha leitura cênica do jovem diretor Henrique Saidel. Em junho serão feitas as leituras de ''Um Momento Argentino'', de Rafael Spregelburd, com direção de Edson Bueno (dia 7) e ''Thom Pain e outros textos'', de Will Eno, com direção de aclamado diretor Felipe Hirsch (dia 28).
''Uma das idéias do ciclo é que apresente também novos diretores, embora o projeto esteja mais focado nos textos do que na direção'', revela a diretora do Ciclo de Debates, Nena Inôue. Ela revela que nem todos os textos podem ser divulgados ainda por questões burocráticas, que envolvem desde tradução até problemas com direitos autorais. É o caso de um texto sobre teatro de autoria da austríaca ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2004 Elfriede Jelinek, que ainda está em negociação. Caso os direitos sejam liberados, o texto terá leitura cênica dirigida por Kinas ao final do projeto.
Os diretores, aliás, foram escolhidos de acordo com a sua trajetória de trabalho, que remetiam ao tema dos textos. ''Brutal'', que abre o Ciclo, trata da violência, tema contínuo do trabalho do diretor Paulinho Maia. Mas o próprio diretor confessa que não montaria o texto caso tivesse opção para levá-lo para o palco. ''Embora tudo se justifique no final, o texto é extremamente agressivo'', revela Maia. ''Brutal'' conta a história de um investigador de polícia que procura desvendar um crime cometido pelos fanáticos religiosos de uma seita chamada Legião Amor.
O texto será lido por um elenco formado por cinco pessoas, há um mês debruçados na dramaturgia de Bortolotto. Para Paulinho Maia, as leituras cênicas são uma oportunidade para atores e diretores conhecerem novos textos, mas também funcionam como alternativa de montagens. ''Na leitura, não existe o vínculo com a produção. É tudo mais livre'', conclui.

Serviço:
- Ciclo de Leituras, hoje, às 20 horas, no Teatro José Maria dos Santos (Rua 13 de Maio, 655). Entrada franca.

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