Curitiba - Antes de começar a entrevista ontem, a diretora Cibele Forjaz, responsável pela esperada montagem ''Arena Conta Danton'', dentro da programação do 14º Festival de Teatro de Curitiba, pediu para ser fotografada com um manifesto em mãos. Trata-se do ''Manifesto pela Lei de Fomento'', que a diretora está encampando em São Paulo. A lei direciona para os grupos, recursos do governo municipal para que sejam desenvolvidos projetos de pesquisa. Foi por meio da lei, antes dela ser congelada na atual gestão da Secretaria Municipal de Cultura, que Cibele conseguiu realizar a montagem de ''Arena conta Danton'', um extenso projeto que vem sendo desenvolvido desde o ano passado, no Teatro de Arena. A montagem é uma das apresentações de hoje na Mostra Contemporânea do Festival, que ainda tem na agenda ''Baque'', ''A Caminho de Casa'', do grupo Armazém e ''20 mil léguas submarinas'', na Mostra Infantil.
''Arena conta Danton'' é baseado no texto ''A Morte de Danton'' (1835), de Georg Buchner (1813-1837). É um dos três textos para teatro que Buchner escreveu antes de morrer, aos 23 anos, e o segundo do autor montado por Cibele (ela também encenou Woizeck, com Matheus Nachtergale). O processo da montagem começou com o projeto ''Arena conta novos dramaturgos'', em que o grupo apresentou no Teatro Arena leituras de textos de 23 dramaturgos contemporâneos. Em três meses, foram apresentados 60 textos.
Paralelo a esse trabalho, Cibele começou a desenvolver com o grupo o espetáculo ''Arena Conta Danton''. ''Na verdade, a montagem é fruto de uma pesquisa do escritor com uma pesquisa que eu venho desenvolvendo, sobre o jogo teatral''. O espetáculo foi criado a partir de jogos de tabuleiro. Tanto que existem 256 formas de combinação de texto. Na montagem, oito atores, sendo um deles ''coringa'' se dividem em dois times, preto e branco. O cenário lembra uma roleta. O público participa ativamente, já que funciona no espetáculo com a própria''platéia'' das cenas. ''Além disso, as perguntas são feitas para a platéia e o próprio público também responde algumas questões'', conta Cibele.
O ''sistema coringa'' foi criado por Augusto Boal na década de 60, mesma época em que foi encenada ''Arena conta Zumbi'' e ''Arena conta Tiradentes''. Já o texto aborda os últimos dias do revolucionários George-Jacques Danton e do processo político que o levou à guilhotina durante a Revolução Francesa. É essa política e briga pelo poder, que se mostra tão contemporânea, que é uma das motivações de Cibele na pesquisa. ''É uma briga onde os objetivos se perdem e o que importa é quem tem o poder'', revela. O espetáculo tem duas apresentações no festival.
A outra estréia de hoje na grade do evento é ''Baque''. Dirigida pela cineasta Monique Gardemberg, a montagem teve o texto de Neil Labute traduzido e adaptado por Geraldo Carneiro. No elenco estão os irmãos Carlos e Déborah Evelyn e Emílio de Mello. Três quadros compõem o espetáculo: ''Medea Redux'', ''Um Bando de Santos'' e ''Ephigenia in Orem''.
Segundo a diretora, a montagem mostra um certo inconformismo diante da realidade, o que conduz o ser humano a atos de semi-deuses mudando o destino que lhe é apresentado. Ela revela que não são três peças estanques, são três tragédias contemporâneas, sendo duas delas inspiradas nos mitos de Ephigênia e Medéia.
Co-fundadora da Dueto Produções, em 1982, Monique criou e produziu grandes eventos de repercussão nacional e internacional, como o Free Jazz e o Carlton Dance. Entre outros trabalhos, Monique dirigiu o longa-metragem, ''Benjamim'', baseado no livro homônimo de Chico Buarque e lançado no ano passado. O espetáculo tem apresentações hoje e amanhã.

Serviço:
- ''Arena conta Danton'', no Shopping Novo Batel; ''Baque'' no Guairinha e 'À Caminho de Casa'', no Teatro da Reitoria. Todos os espetáculos acontecem às 20h30. Ingressos a R$ 24,00. Programação completa no www.festivaldeteatro.com.br

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