Terminou domingo o Festival Internacional de Humor Gráfico de Foz do Iguaçu. Pelo número de trabalhos inscritos, premiações e concentração de personalidades do humorismo gráfico nacional e internacional, o evento, em sua primeira edição, se tornou de fato um dos mais importantes do meio.
A programação começou na quinta-feira e foi organizada pela Fundação Cultural de Foz do Iguaçu e Ra®MD77¯d's Eventos, em parceria com o Iguassu Convention & Visitors Bureau e Bourbon Cataratas Resort & Convention Center, com apoio da Embratur e Itaipu Binacional®MDNM¯. Além da charge/cartunismo, o salão mesclou debates políticos, ambientais e turísticos, aproveitando a vocação natural da Tríplice Fronteira.
Tornou-se compreensivo o ''insight'' do cartunista Ziraldo de criar um festival tendo como cenário uma cidade com tamanha diversidade sócio-cultural, que orbita entre as mais pobres e violentas favelas e os mais suntuosos hotéis do País. E nesse lugar, em que os contrastes são a principal fonte de inspiração às críticas sociais, aportaram estrelas do pensamento engajado com sua carga histórica do dito jornalismo dos anos 70.
Não faltaram personalidades. Salvo algumas exceções, as figuras carimbadas da charge/cartunismo diário reuniram-se com políticos, jornalistas e anônimos, confirmando o interesse cada vez mais crescente do respeitável público pelo resumo humoristico do nosso dia-a-dia.
A repercussão e o nível dos trabalhos que concorreram foram realmente espantosas, colocando a arte da charge e do cartunismo como uma das linguagens mais populares e engajadas caindo definitivamente no gosto popular. A tietagem explícita cercou alguns monstros sagrados que transitaram pelos carpetes do Festival. Exemplos: os irmãos Chico e Paulo Caruz®MD77¯o ®MDNM¯(que juntamente com o chargista Aroeira e banda fizeram o show após a entrega dos prêmios); a dupla Gepp e Maia, o chargista Angeli, o próprio Ziraldo e seu irmão Zélio (diga-se Pasquim 21) e staff, Alan Sieber, os paranaenses Ademir Paixão, Pricila, TakoX e sua turma (que fizeram ''caricaturas na hora''), os internacionais Tomás ''Tommy'' Rodriguez de Cuba (''Sou Fidel'', grande figura!), o uruguaio Tunda, os argentinos Carlos Nine e Ana Von Reuben, e a prova viva de que é possível sobreviver ao trinômio sexo-drogas-e rock and roll dos anos 60: Gilbert Shelton, o criador do Freak Brothes, que veio dos Estados Unidos.
Se por um lado o evento teve todo um glamour de uma exposição de artes e de egos, a batalha da criação gráfica em busca de um bom prêmio de US$ 10 mil (de um total US$ 20 mil que foram distribuídos) motivou artistas de todos os cantos do mundo principalmente os terceiro-mundistas como ''nosotros'') a quebrar a cabeça sobre o tema ''Planeta Água''.
Um artista que veio dos desertos irrigados do Oriente Médio saiu com o troféu nas mãos: o artista russo-israelense Yuri Ochakovsky venceu com todos os méritos a primeira edição, com um trabalho que é uma aula de cartunismo.
O gaúcho Neltair Abreu, o Santiago, uma veterano ganhador de prêmios (inclusive o do Yomiohi Shimbum do Japão, um dos maiores do mundo) ficou em segundo lugar; o espanhol Omar Alberto Figuereoa Turcios, em terceiro; o baiano Flavio Luiz Nogueira, em quarto, e o paulista Raimundo Rucke, ficou em quinto.
A partir destes foram classificados trezentos trabalhos que ficaram expostos, de um total de 2.842 de cartunistas de 62 países, fora os materiais que foram enviados e bateram na trave devido as subjetividades da internet.
A boa notícia foi anunciada pelo ministro do Turismo Walfrido Mares Guia. Ele garantiu que o festival fará parte do calendário nacional do ministério, novamente com o apoio do orgão e que terá como tema o Turismo.
O festival fica na história como não poderia deixar de ser com algumas piadas. Uma inclusive com a participação de Roberto Requião (''humorista'' nato), que no desembarque de Paulo Caruzo em Foz, fielmente caracterizado de Osama Bin Ladem, contou com a cumplicidade do nosso governador, que para dar mais realismo à performace do artista, mandou no melhor estilo George Bush a PM enquadrar o meliante terrorista, com direito a hematomas no irmão gêmeo do Chico, tal foi o realismo da intervenção da nossa nobre Rondas Ostensivas de Natureza Especial (RONE).

O chargista Ivo Akio viajou a Foz a convite dos organizadores do evento.

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