EVENTO - Festival traz melodrama ao palco
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quinta-feira, 17 de março de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A primeira versão do espetáculo ''A Maldição do Vale Negro'', texto dos gaúchos Luiz Arthur Nunes e Caio Fernando Abreu estreou em 1986, numa montagem cujo cenário era formado por telas desenhadas por Alziro Azevedo. Agora, 19 anos depois, Nunes, faz uma homenagem a Azevedo, morto em 1994, e leva para o palco projeções de fotos do primeiro cenário da montagem. É nessa projeção, vestidos com deslumbrantes figurinos de época que o elenco destila a dramática história da família Belmonte. O texto tem todos os clichês que um melodrama pede, desde a mocinha, interpretada pela bela Camila Pitanga até a vilã, vivida pelo ator Marcos Breda. O espetáculo estreou em janeiro, no Rio de Janeiro, e é apresentado pela primeira vez em Curitiba hoje, durante o 14 Festival de Teatro de Curitiba.
Esta é a segunda parceria de Breda e Camila com o diretor. Há dois anos eles montaram ''Arlequim, servidor de dois patrões'', um clássico da Comédia Dell'Arte. Breda conta que a intenção dele e de Camila é investir nessa parceria por dez anos, montando um espetáculo a cada dois anos. ''A Maldição'' é o segundo da série. Eles decidiram pelo texto por querer investir na pesquisa da linguagem melodramática, assim como fizeram do estilo italiano em ''Arlequim'' e também porque Breda havia visto a primeira montagem do espetáculo, há quase duas décadas.
''A Maldição''já ganhou três versões, todas dirigidas por Nunes. O diretor revela que o que muda essencialmente nas montagens são os atores, que trazem elementos diferentes para o espetáculo. A peça conta a história de Rosalinda (Camila Pitanga), atormentada por uma malvada personagem vivida por Breda. ''Ela é a personagem que todos amam odiar. Interpretá-la é um exercício interessante, pois a personagem fica pouco tempo no palco, mas tem uma presença marcante'', conta. Para criar a personagem, ele investiu na movimentação, utiliza sapatos plataformas e saias compridas que dão a ilusão de que Ágatha desliza no palco. Além disso, a personagem tem uma deformação: é corcunda.
''A característica física retrata a definhação moral da personagem'', diz o diretor, Ele confessa ter buscado nos estereótipos do melodrama inspiração para o texto, mas conta que o fez com seriedade. ''É a base da nossa proposta: o amor pela linguagem'', observa. Os ensaios começaram em novembro do ano passado. Durante dois meses, os atores ensaiaram durante seis horas por dia, seis dias por semana. O trabalho intenso resultou em diversas pesquisas sobre o gênero, que consisitiu em leituras de textos, exibições de filmes e palestras com profissionais da área teatral e cinematográfica.
''Aliás, o que me inspirou para criar a minha personagem foram os melodramas mexicanos que assistimos durante o processo'', revela Camila Pitanga. Além dela e de Breda, integram o elenco Bruno Garcia, Mário Borges, Leonardo Netto, Alice Borges e Carolina Virguez. A apresentação em Curitiba sofreu algumas mudanças, já que o elenco não vai poder dispôr de uma alçapão, utilizado na montagem original e terá que usar microfones. Além da ''Maldição do Vale Negro'', a Mostra Contemporânea do FTC apresenta hoje ''A Última Viagem de Borges'', a última apresentação de ''Foi Carmen Miranda'' e outras dezenas de peças no Fringe, mostra paralela do festival. Programação completa no www.festivaldeteatro.com.br
Serviço:
- ''A Maldição do Vale Negro'' hoje, às 20h30, no Guairão. Ingressos a R$ 24,00.


