O casal que adora combinar roupas brancas e vermelhas está chegando. Expoente do badalado ''novo rock'' norte-americano, a dupla The White Stripes desembarca esta semana no Brasil como a principal atração do Tim Festival, sucedâneo do finado Free Jazz Festival.
A programação começa amanhã e termina no sábado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em Londrina, uma excursão foi organizada para transportar uma turma ao evento. Nas três noites de festa, jazzistas clássicos estarão tocando a poucos metros de distância de algumas das mais novas e originais bandas do panorama mundial.
A exemplo das últimas edições do Free Jazz, as estrelas pop dominam o elenco ofuscando os craques do improviso instrumental. Entre os destaques do núcleo jazzístico figuram a cantora Shirley Horn, o pianista McCoy Tyner, o trompetista Terence Blanchard e os saxofonistas Illinois Jacquet e Walt Weiskop Nonet.
A eles, e a seus pares de gênero musical, será reservado o palco Club. Paralelamente, os palcos Stage, Lab e After Hours receberão artistas de rock, hip hop e música eletrônica. O duo White Stripes, cujos 4 álbuns já foram lançados no Brasil, desponta como o fator-chamariz para o público conectado às novas tendências.
Executando um rock-blues com influências do Led Zeppelin, o duo de Detroit chamou a atenção por não contar com um baixista na formação. Jack, eleito o artista mais cool do planeta pop pela revista americana Spin e pelo tablóide britânico New Musical Express, faz os vocais e toca guitarra. Meg toca bateria.
O show no Brasil faz parte da turnê mundial de divulgação do álbum ''Elephant''. Eles tocam na sexta-feira, em noite que terá ainda a banda britânica Super Furry Animals e a nova-iorquina The Rapture. Esta última é outra com potencial para atrair os moderninhos com sua mistura de guitarras, grooves dançantes e timbres vocais semelhantes à de Robert Smith, do The Cure.
Também da geração emergente, o não menos festejado The Streets traz sua fusão de hip hop, rock e eletrônica registrada no elogiado álbum ''Original Pirate Material''. Abrindo o festival, amanhã, a escalação da cantora Beth Gibbons prenuncia uma noite memorável com seus vocais gélidos, dramatizados e melancólicos.
Famosa como vocalista da banda Portishead, de Bristol (Inglaterra), ela vem acompanhada pelo músico Rustin' Man (codinome de Paul Webb, ex-baixista do Talk Talk) com quem gravou o álbum ''Out of Season'' na última temporada. Diferente do estilo trip hop, que marcou seu trabalho nos anos 90, o novo repertório deixa as batidas sampleadas de lado para explorar instrumentos acústicos destilando influências que vão do blues de Billie Holiday ao jazz e ao folk.
Representante do hip hop no Festival, o veterano grupo Public Enemy visita pela segunda vez o Brasil, onde veio em 1991 no auge da carreira. Sem a mesma repercussão de antes, Chuck D e sua gangue de rappers continuam atuantes disparando mísseis verbais contra o racismo, a desigualdade social e os vilões da política. Seu último álbum, ''Revolverlution'', é do ano passado.
A música eletrônica, obrigatória hoje em dia em festival de qualquer gênero, vai ocupar o palco After Hours, sempre a partir de 2 horas da madrugada. A musa do electro-punk Peaches, o DJ Erol Alkan e o grupo Front 242 são os principais nomes convidados para congestionar a pista de dança. Até ontem à tarde, nenhuma emissora de televisão havia anunciado a transmissão do Festival. Os paranaenses que deixaram de comprar os ingressos por achar o Rio longe demais, terão que se contentar com a edição do próximo ano, já anunciada para São Paulo.

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