EVENTO - Festival de Cinema Judaico discute temas atuais
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
Começa hoje o 10º Festival de Cinema Judaico de São Paulo. Nesta década inteira em que ocorre o evento, um tema tem sido recorrente a memória do Holocausto, momento terrível da história da (des)humanidade, quando 6 milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas. Grandes filmes têm sido feito sobre o assunto e é sempre importante discutir o horror que o produziu, até porque estão aí, na volta dos judeus à Palestina, as origens da crise que convulsiona o Oriente Médio.
Para manter-se atualizada, estética e politicamente, a curadoria do Festival de Cinema Judaico precisa voltar-se para o que ocorre hoje, não privilegiando apenas a reconstituição de trágicos eventos passados. A crise entre Israel e o Hezbollah no Líbano ainda vai demorar para produzir filmes, mas o que motiva mais essa tragédia já pode ser discutido e avaliado. O Hezbollah usa um escudo humano de libaneses para atingir Israel, mas o país também responde de forma indiscriminada e irracional. A paz torna-se, cada vez mais, uma utopia distante.
Sob o rótulo ''cinema judaico'', abriga-se não apenas o cinema produzido no Estado de Israel, mas também aquele que, em todo o mundo, discute a herança judaica, quase sempre feito por diretores com ascendência no povo hebreu. Além das mostras competitivas de ficção e documentário, a 10 edição apresenta dez clássicos selecionados por internautas, uma série de filmes especiais (com ênfase no público infanto-juvenil) e uma seção formada por realizações da Faculdade Sapir, de Israel. O patrocínio é do Banco Daycoval. ''Ha Ushpizin'', de Gidi Dar, é o filme de abertura. Sua narrativa remonta ao mito de Abraão e Sara que produziu a festa de Sucot. Um casal de ortodoxos segue a tradição e recebe convidados. O grupo é heterogêneo e produz tensões.
Alguns títulos merecem atenção especial ''Testemunhas Imaginárias'', de Daniel Anker, é um documentário muito forte que mostra como Hollywood focaliza o Holocausto. Cenas de cults como ''A Escolha de Sofia'', de Alan J. Pakula, e ''A Lista de Schindler'', de Steven Spielberg, são comentadas e ficam ainda mais fortes. ''Entes Queridos'', de Dominic Harari e ''Teresa Pelegri'', sintetiza, no interior de uma família, a situação do Oriente Médio garota apresenta o namorado aos pais, mas o cara que ela diz ser israelense, na verdade, é um palestino. O documentário ''Ydessas, Ursos etc'' tem origem numa exposição da artista plástica Ydessa Hendeles. Como é assinado por Agnès Varda, pode-se esperar o melhor Varda fez, com ''Les Glaneurs et la Glaneuse'', um dos mais belos filmes ensaísticos da história do cinema.
Sserviço
- 10º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, no Centro da Cultura Judaica (Rua Oscar Freire, 2.500, telefone 11/ 3065-4333; CineSesc. Rua Augusta, 2.075, 3082-0213; A Hebraica. Rua Hungria, 1.000, 3818-8888; MIS. Av. Europa, 58, 3062-9197. 3. a dom., horários variados. Grátis (A Hebraica /Auditório e Teatro Anne Frank e sábs. no MIS); 1 kg de alimento não perecível (Centro da Cultura Judaica); e R$ 7 (A Hebraica /Teatro Arthur Rubinstein, MIS e Cinesesc). Até dia 13 de agosto.


