EVENTO - Festival abre o leque musical
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sexta-feira, 13 de maio de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
''Um festival de músicas''. É isso que o mais novo diretor artístico-pedágogico do Festival de Música de Londrina (FML), Marco Antônio de Almeida, espera realizar na 25 edição do evento. O anúncio foi feito em coletiva à imprensa realizada ontem, na Secretaria Municipal de Cultura. O pianista, que há 30 anos mora na Alemanha, e ocupa a cátedra de música da Escola de Música de Hamburgo, disse estar muito excitado com o convite. ''Até as dificuldades financeiras, que quase sempre o festival enfrentou, me animam. Com uma equipe competente, é sempre possível transformar os problemas em solução'', garantiu o músico, que foi diretor do festival de 1990 a 1995 enfrentando ''dois planos Collor'', ele salientou, brincando.
Almeida deve definir até o final da próxima semana as diretrizes do festival, antes de retornar à Alemanha. Como sua representante, assume a pianista Lílian de Almeida, sua irmã, até que ele retorne no início de julho. A data prevista para a realização do festival é de 12 a 26 de julho. Para fomentar o debate sobre o evento, acontecerá na próxima terça-feira, às 18 horas, no Auditório da Associação Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, 130), uma reunião aberta a todos os interessados na área de música. O objetivo é debater sugestões sobre a programação do festival. ''Isso é um primeiro passo para abrir as portas do festival para a comunidade'', comentou Almeida.
Músico de formação erudita, Almeida, no entanto, lembrou que foi de sua autoria a introdução da música popular no festival. ''Recebi algumas críticas por isso, mas, no Brasil, não se pode desconsiderar a diversidade musical. Por outro lado, também não consigo pensar a música feita no Brasil desvinculada do seu sentido sociológico, principalmente no aspecto da educação musical'', salientou.
Dentro da sua proposta está a ênfase a projetos musicais que possam ter continuidade após o festival, além de valorizar os diferentes gêneros musicais. Ainda em fase preliminar, ele deverá se reunir com a comissão organizadora para se interar sobre os projetos na área de música praticados pela Rede da Cidadania. Ele também deverá manter a linha de que os próprios professores do festival também façam apresentações artísticas. ''Temos que trabalhar com os recursos que temos. Se não der para trazer estrelas internacionais, vamos dar visibilidade para os talentos locais.''
A programação ainda não está fechada, mas Almeida adiantou que deverá trazer a Londrina grupos de músicos poloneses e venezuelanos. ''A Venezuela tem uma experiência muito interessante na área de música. Atualmente há 180 orquestras de crianças de rua em andamento.''
Neste ano o festival retoma o tradicional modelo de organização, trazendo de volta a figura do diretor artístico-pedagógico que foi abolida há várias edições. Além de Marco Antônio de Almeida, o festival terá à frente dos trabalhos uma comissão organizadora formada por Luciana Ratzke, representando o Governo do Estado; Dora Barnabé, da Secretaria Municipal de Cultura; e Vilson Gavaldão, como membro da Universidade Estadual de Londrina. A comissão deliberativa será composta pela secretária de Cultura do Estado, Vera Mussi, pela reitora da UEL, Lygia Puppato, pelo secretário de Cultura, Luciano Bitencourt, e por Maria do Carmo Duarte, presidente da Associação dos Amigos do Festival de Música.
Segundo o secretário de Cultura, Luciano Bitencourt, já foram garantidos R$ 400 mil para a realização do festival. Desse total, R$ 150 mil são provenientes da Prefeitura, R$ 200 mil do Governo do Estado e R$ 50 mil da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A organização também inscreveu o festival na Lei Rouanet, para captação de R$ 968 mil, mas espera desfecho da greve do ministério, que já dura 40 dias, para saber sobre a viabilidade dessa proposta. No ano passado, o festival se desenrolou com uma verba de R$ 550 mil. ''Já estamos em negociação com várias empresas públicas e privadas para angariar mais recursos para o festival'', destacou Bitencourt.
No encontro com jornalistas, também foram discutidos os locais de apresentações. Igrejas, praças e o Zerão devem ser utilizados pelo festival, além do Teatro Ouro Verde, que será liberado para o evento. A Concha Acústica, palco de polêmica por parte de alguns moradores próximos ao local contrários à utilização do espaço para apresentações musicais, também deverá entrar na programação. Ontem, na Secretaria de Cultura, seria realizada uma reunião com os moradores da redondeza para discutir critérios de utilização da Concha.
Serviço:
- A reunião aberta à comunidade para debater a programação do 25º Festival de Música de Londrina acontece na terça-feira, às 18 horas, no Auditório da Associação Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, 130). Sugestões também podem ser enviadas a Marco Antônio de Almeida pelo e-mail: [email protected]


