Cena de "Dezuó, Breviário das Águas": espetáculo premiado mostra o impacto ambiental e social da construção das hidrelétricas
Cena de "Dezuó, Breviário das Águas": espetáculo premiado mostra o impacto ambiental e social da construção das hidrelétricas | Foto: Cacá Bernardes/ Divulgação



Indicado em duas categorias no Prêmio Shell 2016 (cenário e autor), o espetáculo "Dezuó, Breviário das Águas" integra a programação do Festival de Dança. Ele mostra a trajetória do menino-homem-andarilho que, após a dissolução de sua vila natal, refugia-se na cidade. A montagem do Núcleo Macabéa (SP), que será apresentada hoje, às 20h30, na Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159), dá voz aos povos silenciados, que tiveram de abandonar sua vida nas margens dos rios e migrar para a marginalidade dos grandes centros. O mote da trama é a expulsão do menino Dezuó e de sua família da Vicinal do Vinte Um, comunidade ficcional ribeirinha, motivada pela construção de uma usina hidrelétrica no Rio Tapajós, oeste do Pará, na Amazônia brasileira. Com direção de Patricia Gifford, a montagem da peça de Rudinei Borges reconstitui a trajetória do menino-homem-andarilho que, após a dissolução de sua vila natal, refugia-se na cidade. Em cena estão o ator Edgar Castro e o músico Juh Vieira. A trajetória memorialista do andejo Dezuó adentra as facetas adversas da cultura e das realidades do Brasil para refletir sobre a negação do direito à terra e a consequente disfunção social, fruto direto de uma política desenvolvimentista operacionalizada à margem da legalidade.

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