EVENTO - As provocações sonoras de Tom Zé
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 2003
Katia Michelle Pires<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O cantor e compositor Tom Zé descobriu uma peculiaridade relacionada ao seu trabalho: a cada ano é menor a faixa etária das pessoas que procuram os seus discos. O fenômeno ele atribui à sua sintonia com que há de novo na música brasileira. Desde a década de 70, o músico baiano surpreende com as inovações das músicas que compõem. O que antes chocava pela ineditismo (Tom Zé chegou a viver uma fase de ostracismo de mais de uma década, sem encontrar lugar no mercado) agora atrai um público cada vez mais jovem, mantendo os que já eram fiéis à irreverência do cantor. Irreverência que vai poder ser conferida hoje, a partir das 22 horas, no show que ele faz para abrir o 13º Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Antonina, litoral do Estado.
Aos 67 anos, Tom Zé costuma cumprir uma agenda de shows e palestras dedicada aos estudantes universitários. E explica: ''Toda geração tem uma espécie de combustão interna que transparece no gesto coletivo, no olhar e na temperatura emocional que se estabelece na casa ou na universidade onde ela está. Minha prática, meu treinamento e as ferramentas que eu desenvolvi através da vida atuam como antenas captadoras dessas energias''.
O músico acaba de gravar sua segunda trilha para o Grupo Corpo, ''Santagustin'', em parceria com Gilberto Assis, mas no show de hoje promete relembrar os seus antigos sucessos. A abertura do Festival de Antonina, costuma atrair milhares de estudantes, transformando o cenário da pequena cidade histórica do Litoral.
Além de 42 shows de música e apresentações de teatro, a 13 edição do evento vai oferecer 45 oficinas infantis e 42 oficinas e cursos para adultos. As inscrições para as oficinas dedicadas para maiores 15 anos já encerraram. Para as oficinas infantis, o festival ainda recebe candidatos hoje para os poucos cursos que ainda restam vagas. As inscrições podem ser feitas no Salão Paroquial da cidade (Rua Valle Porto, 65).
Durante o festival, as escolas municipais e estaduais da cidade se transformam em alojamento para abrigar a maioria dos estudantes que participam do evento. Algumas escolas também se modificam para abrigar as oficinas, que acontecem também nas ruas da cidade.
Uma das novidades deste ano é a criação do Banana Cabaré, evento semelhante ao Cabaré que acontece durante o Festival Internacional de Londrina (Filo). O Banana Cabaré foi instalado numa antiga fábrica de banana e vai abrigar shows sempre depois das 24 horas, para quem tem fôlego para cumprir a programação durante o dia e ainda aproveitar a balada na madrugada.
Da agenda de shows do Banana Cabaré, fazem parte alguns grupos locais e outros desconhecidos, mas também algumas boas pedidas, como os Los Bonecos, dupla formada por Anderson Carlos e Lucas Francisco que acaba de sair de uma temporada em Curitiba. Hoje, a programação fica por conta da banda Xique Baratinho e amanhã com o grupo Gypsy Acústico.
Antes da abertura oficial do evento com show de Tom Zé, hoje à noite, a programação do festival ainda conta com os espetáculos circences Guayrá -''Um grito pela paz'', às 12 e 15 horas e show circence às 16 horas.
Para o encerramento do festival, no dia 19 de julho, a organização do evento preparou um show com Oswaldo Montenegro. O músico vai mostrar o repertório do seu novo disco, ''Estrada Nova''.
SERVIÇO:
- Abertura do 13º Festival de Inverno da UFPR, em Antonina. Hoje, às 22 horas com entrada franca no Palco Principal montado na cidade. Para o Banana Cabaré, os ingressos custam R$ 3,00. Os demais espetáculos têm entrada franca.


