Diversidade, integração e ousadia. Sobre esse tripé, a cidade de Corumbá, a 420 quilômetros de Campo Grande, ampara o mais importante evento cultural, tanto na questão quantitativa como qualitativa, já ocorrido no Mato Grosso do Sul. Trata-se do Festival América do Sul que até amanhã estará promovendo intercâmbios cultural, intelectual e sobretudo socioeconômico entre dez dos 13 países sul-americanos. Ao todo são 240 atividades diluídas entre shows musicais, mostra de vídeos e cinema, teatro, dança, literatura, artesanato e artes plásticas.
Para não conotar erroneamente ser apenas um evento de performances, no festival ganha reflexão maior através de painéis e seminários o meio ambiente, o turismo, a cultura e, em especial , o desenvolvimento e a integração do continente. ''O grande diferencial é que esse evento, além de dar um panorama das artes, também promove discussões que podem gerar consequências futuras sobre a integração'', analisa Pedro Ortale, diretor-presidente da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul e coordenador do Festival América do Sul.
As discussões, pelo jeito, estão rendendo bons fomentos. Ou, ao menos, viáveis intenções. Anteontem, por exemplo, durante mesa temática com representantes dos ministérios da Cultura do Brasil, Peru, Uruguai e Paraguai foi decidida a elaboração de uma carta, a ser enviada nos próximos 30 dias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando articulações necessárias para a implementação da língua espanhola no currículo escolar brasileiro. ''Só existe integração entre povos através da cultura. E nesse ponto o festival está cumprindo sua intenção na área de intercâmbio e conhecimento'', salientou Sílvio Nucci, secretário estadual de Cultura.
Discussões à parte, o grande chamariz do Festival América do Sul é a pluralidade da programação artística. As atividades acontecem na Casa de Cultura Luiz de Albuquerque, Praça Generoso Ponce, Porto Geral de Corumbá (onde foi montado um pavilhão para os principais shows, com capacidade para sete mil pessoas ), Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), na cidade vizinha Ladário, além de Puerto Suaréz e Puerto Quijaro (na Bolívia).
Entre as atrações musicais brasileiras constam artistas e grupos como Jorge Aragão, Cordel do Fogo Encantado, MPB4 (que está à beira de completar 40 anos de atividades), Yamandú Costa, Marcelo D2, Tetê Espíndola, Almir Sater, só para citar alguns. Milton Nascimento é um dos homenageados do festival.
Do elenco internacional, estrelas de primeira grandeza como o argentino Fito Paez, Isabel Parra (filha de Violeta Parra), Celeste Carballo (roqueira Argentina), Mercedes Sosa Group, entre outros.
Nas artes plásticas, os destaques ficam por conta das tapeçarias e óleos confeccionados por Violeta Parra (não se resume à música a arte desse ícone chileno), exposição fotográfica de Pablo Neruda e mostra multimídia de Cândido Portinari. No cinema, os olhares voltaram-se para filmes como Diário de Motocicletas, Vereda Tropical (ganhador do Kikito 2004 no Festival de Gramado) e ''Benjamim'' (da diretora Monique Gardenberg, baseada na obra de Chico Buaque).
O Festival América do Sul está orçado em R$ 3,1 milhões e está sendo realizado pelo governo do Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria da Cultura e Fundação da Cultura. O patrocínio maior veio do Banco do Brasil (R$ 2,5 milhões) e tem ainda apoio financeiro do grupo Eletrobrás, Companhia Vale do Rio Doce, Urucum Mineração, Funarte e Msgás. A previsão é de que durante os 9 dias , o evento tenha recebido um público estimado em 90 mil pessoas - 20 mil a mais que a população de Corumbá.
O jornalista viajou a convite da organização do Festival América do Sul.

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