Curitiba - Quando era criança, Wagner Polistchuk ganhou um violão, mas não demorou muito para declinar do instrumento e partir para equipamentos musicais mais sofisticados. Tentou o piano, o bombardino e depois escolheu o trombone. E foi com esse último que ele se consagrou no mundo da música. Em 1990, ganhou uma bolsa de estudos para especializar-se na Alemanha com o professor Braminir Slokar, um mito na música erudita mundial. Desde então, acumula prêmios como instrumentista, além de feitos inéditos, como a gravação de um disco, em 1999, com obras para trombone e piano de compositores brasileiros e as primeiras gravações mundiais de feras como Ernst Mahle, Michael Kelly, Cláudio Santoro, Káthia Bonna, José Siqueira e Osvaldo Lacerda.
Atualmente, aos 41 anos, Polistchuk é instrumentista da Osesp, uma das mais conceituadas orquestras do País. Paralelo ao trabalho como trombonista, o músico se destaca também como regente. Foi regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina e agora acaba de ser convidado para assumir a regência da Orquestra de Santo André, em São Paulo. E é como regente que o músico abre a 25 Oficina de Música de Curitiba, que começa hoje, à frente da Camerata Antiqua da cidade. O repertório foi gravado no CD ''Versos Brasileiros'', também com a direção musical de Polistchuk e que tem lançamento hoje também. A seguir, a entrevista que Wagner Polistchuk concedeu à Folha2.

Como iniciou essa sua parceria com a Camerata Antiqua de Curitiba?
Começou há uns cinco anos. Fui convidado para fazer um trabalho apenas com a orquestra de cordas e com músicas de compositores ingleses. Depois disso, numa conversa com o pessoal do coral também preparamos alguma coisa de um compositor moderno chamado James Mcmilan, que foi uma estréia nacional de uma peça dele chamada ''Cinco Últimas Palavras de cristo na Cruz''. Nessa época eu nem sabia que a Camerata estava desenvolvendo um CD, mas a partir desses trabalhos me convidaram para cuidar da direção musical. Isso foi em final de 2005.

E como o projeto do CD foi levado adiante? Você mora em São Paulo, como foi a rotina dos ensaios e a escolha do repertório?
Tínhamos um primeiro projeto de CD que eram duas semanas de ensaios e uma semana de gravação. Nos estendemos um pouco no tempo da gravação e teve que passar isso para julho para finalizar. O repertório é todo brasileiro. A maioria é de músicas que ainda não foi gravada e teráa primeira gravação. Eles já tinham decidido o repertório e eu já cheguei com ele pronto. Nós trabalhamos em cima disso. (NROs compositores contemplados no CD são Henrique de Curitiba, Ernst Mahle, Ronaldo Miranda, Edino Krieger e Eduardo Villani Cortez).

Qual era o seu envolvimento com esse repertório antes?
Para mim eram todas músicas desconhecidas. Eu conhecia os compositores, todos grandes autores brasileiros, mas com as obras eu nunca tinha trabalhado. Mas Edmundo Villani, por exemplo, é amigo meu. Antes de gravarmos eu conversei com ele sobre a obra pra entender bem o que ele estava querendo e tentar aproximar o máximo possível da idéia do compositor.

Fale um pouco sobre o início da sua trajetória musical.
Comecei numa banda, em São Bernando do Campo, no ABC paulista. Não tinha músicos na minha família, mas meus pais me deram um violão quando eu era criança. Eu toquei por uns dois, três meses e depois disse que não queria. Que queria um piano. Então, de alguma forma, eu já tinha decidido alguma coisa. Depois, já na banda, o primeiro instrumento que eu pedi foi o saxofone. Aí me disseram que não tinha, só tinha bombardino. Toquei um tempo e na banda mesmo, conversando com um amigo que tocava trombone, resolvemos trocar. Daí pra frente não parei mais.

E como foi sua primeira experiência fora do País. Você ganhou uma bolsa, não foi?
Sim. Ganhei um bolsa em 1990 pra estudar um ano na Alemanha. Até então eu nunca tinha pensado em sair do País para estudar, mas foi uma sequência de fatos que me levaram a estudar com uma pessoa que era meu ídolo. Eu sempre escutava os seus CDs. De repente ele me aceitou para estudar. Isso mudou muito minha visão sobre a música. Lá, além de você estar num sistema alemão, que é uma disciplina muito grande de estudo, de aprendizado, o professor também é muito exigente. Era algo que faltava pra mim. Não que eu fosse indisciplinado, mas a forma como eles encaram a música mudou bastante meu modo de pensar.

Você teve um envolvimento com a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. Fale um pouco sobre esse período.
Foram dois anos. Eu fiquei em Londrina entre 2003 e 2004. Foi quando eu estava começando a carreira de regente, tinha essa vaga eu fiz um concurso e passei. Mas depois eu queria fazer alguns projetos que não estavam dando muito certo e eu pedi pra sair. Mas olha, você ter uma orquestra na sua mão é uma coisa única. São muitas regentes no Brasil para poucas orquestras. Quando você lida com as pessoas, com a parte administrativa, você aprende muito.

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