EVENTO - A moda é ser livre
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quarta-feira, 19 de julho de 2006
Karla Matida<br>Enviada a São Paulo 
''A imprensa tem me chamado carinhosamente de o cientista da moda'', dizia o estilista curitibano Jefferson Kulig para um convidado logo após seu desfile, no último dia da São Paulo Fashion Week. Tal denominação não veio por acaso, já que Kulig está sempre atrás de novas pesquisas, principalmente as de viés tecnológico. Para o Verão 2007, a surpresa do estilista foi a fibra de tururi em sua coleção. A fibra natural vem da Ilha de Maruim (PA) e com ela o curitibano não só cria belas regatas confeccionadas com técnicas de moulage (onde a roupa é montada no próprio manequim), como também se preocupa com a inclusão social. As remessas de fibras paraenses são feitas por famílias que até então se sustentavam com apenas um salário mínimo, segundo dados do estilista, que pretende comercializar a coleção de tururi no exterior.
A fibra, que no interior do Pará cobre os telhados das casa, é usado na coleção de Kulig com o mesmo requinte de um tecido nobre como um gazar. O resultado fica ainda mais chique com a estamparia sutil em tons prateados. Outra novidade nas criações do paranaense são as estampas coloridas até então o estilista apresentava sempre modelos em branco, preto, cinza, variações de marrom e azul. O xadrez escocês divide a passarela com o pavão bem brasileiro, na proposta multicultural de Kulig.
O fato dele ser chamado de cientista da moda tem muito a ver com as suas primeiras participações no evento paulista, nos quais privilegiava o lado conceitual. E isso acontecia mesmo quando os a maioria dos seus colegas estilistas já apostavam em desfiles bem mais comerciais.
Coincidência ou não, o encerramento da SPFW contou com outros pares de Kulig. Gente como Fabia Bercseck, que se dá ao luxo de deixar suas modelos rodopiarem na passarela mostrando uma coleção bem-humorada sem se apegar às tendências. Em todo caso, estavam lá os shorts e vestidinhos mais curtos, que tanto prometem fazer e acontecer na próxima estação.
O último dos desfiles do maior evento de moda da América Latina teve a passarela mais polêmica da temporada: mulheres quase nuas deitadas em montinhos de areia no centro da sala da Cavalera, que abriu e fechou a terça-feira fashion. Primeiro com a coleção masculina (apresentada no Autódromo de Interlagos) e depois com a linha feminina. Em comum, peças coloridas e com refinamento nos detalhes, como o uso delicado da renda renascença criada especialmente para a grife por uma comunidade de artesãs da Paraíba. Os estilsitas da Cavalera passam temporadas no nordeste brasileiro desenvolvendo o projeto.
E a idéia da participação coletiva também é a cara do grupo carioca OEstudio, que estreou na SPFW com desfile multimídia. Roupas e modelos interagindo com o telão colorido ao fundo. As coleções apresentadas na São Paulo Fashion Week durante a semana começam a chegar nas lojas a partir de setembro com muita promessa de cores (com destaque para o branco) e comprimentos curtos. A leveza e a liberdade são palavras-chave da estação.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento
Excepcionalmente hoje deixamos de publicar a coluna Gastronomia


