Em palestra proferida ontem, na Funcart, como parte da programação da 2 Conferência de Cultura de Londrina, o consultor e professor de economia política Ladislau Dowbor, que já foi Secretário de Negócios Extraordinários da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, e Assessor Técnico da ONU, defendeu a idéia de que soluções para o planeta, ''com mais consistência social'' dependem e muito das cidades, bem como da descentralização do controle da informação e da solidariedade, traduzida em parcerias, que tornem possível um mundo ''economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável''.
Para Dowbor, ''o mundo vem se transformando em ritmo dramático''. Os sucessivos avanços tecnológicos apequenaram o planeta e intensificaram seus problemas. É preciso, segundo acredita, ''que esses avanços tecnológicos sejam usados em nosso benefício, para que não nos transformemos em vítimas deles''. Dowbor exemplifica com a informação, cada vez mais rápida e amplamente disseminada e cujo ''controle está nas mãos de poucos''. As diversas mídias, no seu entender, nos atualizam em relação a ''terremotos, crimes, violência, porque o que interessa é o show'' e não sobre ''quem está poluindo nossos rios ou sobre as terras improdutivas que poderiam ser aproveitadas para minimizar o problema do desemprego''.
Historicamente, de acordo com sua análise, as velhas propostas econômicas e políticas, sejam de esquerda ou de direita, provaram que não funcionam, por suas características simplificadoras. Assim, ''torna-se necessário estabelecer um novo norte, a partir de um eixo no qual se articulem o social, o econômico e o ambiental''. Essa articulação também deve ocorrer entre as classes sociais, já que ''não existe mais a classe redentora, seja o proletariado ou o empresariado''. No Brasil de hoje, em que 82% da população se concentra na área urbana, a administração pública precisa ser repensada com o foco na ''administração das cidades, porque é nelas que tudo acontece''. No entanto, em termos orçamentários, ''as cidades estão no último escalão''.
Essa noção da importância da cidade, como defende Dowbor, ''deveria ser ensinada nas escolas, para que se construísse a compreensão do meio em que se vive e no qual é possível intervir''. Informação, nesse sentido, revela-se fundamental, criando ''condições para que cada comunidade dinamize seu processo de transformação e crescimento'', do qual a cultura faz parte, ''como uma dimensão de riqueza e beleza que está dentro de cada um de nós''.

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