Ainda polêmico, o sistema de cotas - seja racial, no caso dos afrodescendentes, ou social, considerando os alunos que são provenientes da escola pública -, já está em sua terceira edição na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Sem a definição de uma lei federal que sistematize e normatize o procedimento que busca equilibrar as oportunidades de acesso ao ensino superior, fica para cada instituição elaborar as suas diretrizes. Na UEL, a resolução nº 78, de 2004, aprovada pelo Conselho Universitário, decidiu a destinação de 40% das vagas de cada curso de graduação do vestibular para alunos oriundos de instituições públicas de ensino e até metade desse total de 40% deverá ser reservada para candidatos que se autodeclararem negros.
Apesar da aplicação da norma, a preocupação agora é outra: verificar como anda a qualidade de vida do aluno cotista, no aspecto pedagógico e social. Essa é a proposta da nova pró-reitora de graduação da UEL, Maria Aparecida Vivian de Carvalho. ''A situação é delicada e é muito importante instituir políticas de acompanhamento dos cotistas. É muito bonita a resolução, que permite o ingresso do aluno, mas também temos que nos esforçar para que o aluno consiga permanecer na instituição. Não sabemos das suas condições de vida e precisamos aprofundar um estudo qualitativo sobre isso'', afirmou.
Numericamente, pelo menos, a universidade já tem alguns parâmetros para se debruçar. No vestibular 2005, dos 35.531 inscritos para concorrer a 3.010 vagas, 34,1% eram cotistas, isto é, 12.109 candidatos. No vestibular 2006, dos 24.399 inscritos, 8.851 (36,3% do total) candidatos se inscreveram no sistema de cotas; desse total, 1.326 se autodeclararam negros. Em 2005, o curso que recebeu o maior número de inscrições de alunos cotistas - 78,3% - foi o de Serviço Social noturno. O que recebeu menor número de inscrições de alunos cotistas foi o curso de Medicina: 8,5%.
Para o apoio financeiro dos alunos cotistas, o governo federal, via Fundação Araucária, concede bolsas de inclusão social à iniciação à pesquisa de ensino para 270 alunos cotistas da UEL, no valor de R$ 241,50. Hoje, contando os alunos cotistas matriculados em 2005 e 2006, a UEL congrega um total de 2.742 alunos cotistas, sendo 626 que se autodeclararam negros ou pardos (lembrando que eles têm que obrigatoriamente ter estudado em escola pública). ''As bolsas não atendem à toda demanda e precisamos repensar a melhor forma de fornecer amparo ao cotista'', acrescentou Maria Aparecida.
Uma notícia relevante é que em termos de média aritmética os alunos cotistas estão indo bem e não ficam muito atrás dos que vieram de instituições particulares. Dados estatísticos de 2005 apontam que a média dos alunos cotistas negros foi 6,98; os de escola pública, 7,31 e os do sistema universal, 7,30. Outra dado interessante é que do total dos alunos cotistas matriculados em 2005, somente dois trancaram a matrícula. O índice de evasão, isto é, de cancelamento de matrícula, foi de 3,5% para os cotistas negros e de 3,88% para os cotistas que não se autodeclararam negros e são provenientes de escola pública. No caso dos alunos do sistema universal, o número aumenta: 8,42%. ''Até o ano que vem pretendemos criar uma diretoria ou uma divisão que cuide das ações afirmativas, que inclui o acompanhamento dos alunos, inclusive dos alunos provenientes de convênios de graduação com a Bolívia e África, por exemplo, que às vezes ficam desamparados'', ressaltou.

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