EUA investem para recuperar turistas
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Ana Carolina Sacoman<br> Agência Estado 
Orlando, EUA - Do alerta laranja para o sinal vermelho foi um pulo. Desde janeiro, a indústria do turismo americana sinaliza que a coisa não vai tão bem como deveria, e a reação está deixando a desejar. De acordo com estimativas da Travel Industry Association of America (TIA), o setor vem perdendo US$ 20 bilhões por ano desde 1992 e viu sua fatia no mercado mundial encolher 35% no mesmo período.
O número de visitantes em 2004, cerca de 50 milhões, é o mesmo de uma década atrás. Para piorar, o Departamento de Comércio gasta em torno de US$ 6 milhões anuais para promover os Estados Unidos no resto do mundo uma mixaria se comparada com as verbas da Austrália, em torno de US$ 135 milhões, e do Canadá, US$ 80 milhões.
Para reverter essa situação, o presidente da TIA, Roger Dow, e o chairman, Jay Rasulo, anunciaram o que ficou conhecido como Projeto Apollo, plano de marketing e promoção turística sustentado pelo tripé trabalho em conjunto, hospitalidade e lobby. A aposta da TIA virou o principal mote de discussão durante o Pow Wow, maior feira de turismo dos EUA, este mês, em Orlando.
Para começar, a idéia é ''convocar'' os Estados americanos para a criação conjunta de um plano de marketing eficiente e que promova os Estados Unidos como um país e não um amontoado de Estados. ''São 50 'laboratórios', e a maioria sabe se vender'', disse Jay Rasulo. ''Vamos aproveitar essa experiência.'' O passo seguinte é reforçar o lobby no governo para uma indústria que movimenta US$ 1,3 trilhão e que é responsável direta ou indiretamente por 1 a cada 8 empregos nos EUA, ou 16 milhões de novos postos de trabalho ao ano.
Resta, ainda, ''vender'' a idéia de que as portas americanas estão abertas ao turista, apesar de as fronteiras parecerem cada vez mais fechadas aos visitantes estrangeiros. ''A América tem de mandar a mensagem de que está aberta ao mundo'', afirmou Rasulo.
Sinal que os brasileiros entenderam muito bem e aproveitam como nunca. De acordo com o Departamento de Comércio americano, 485 mil brasucas desembarcaram no país em 2005, um aumento de 26% em relação a 2004. Tanto entusiasmo põe o Brasil em oitavo lugar entre os maiores emissores internacionais excluindo da conta os dois grandes mercados americanos, os vizinhos México e Canadá , uma posição acima em relação a 2004.
Baseada no resultado dos dois primeiros meses deste ano, quando 90 mil brasucas desembarcaram na terra do Tio Sam 31% a mais que em 2005 , a TIA estima que 630 mil turistas verde-amarelos entrem nos EUA até dezembro, elevando o País para a sexta posição entre os mercados emissores (novamente excluindo-se Canadá e México), posto perdido em 2001 e até agora não recuperado.
Mas o resultado pode ser ainda melhor. ''Essa estimativa já é conservadora'', disse o diretor internacional de Marketing da TIA no Brasil, Luiz de Moura Jr. ''O câmbio favorável, a economia estável, a recuperação dos salários e as facilidades implementadas pelo Consulado americano para obtenção de visto têm atraído o brasileiro.''
Os brasucas, porém, continuam previsíveis. Os destinos preferidos de público e crítica são ainda Flórida, com 37% (ou 181 mil visitantes), seguida por Nova York, com 23% (ou 113 mil turistas brasileiros), em 2005. Chama a atenção, também, o número de pessoas viajando pela primeira vez para os EUA: 14% dos turistas em 2005, 4% a mais que em 2004, reflexo do dólar baixo.
A maior feira de turismo dos EUA contou com 5,5 mil participantes, de 70 países, que negociaram em torno de US$ 3,5 bilhões em cinco dias. Eles puderam visitar 1,2 mil estandes representando todos os Estados americanos. Ano que vem, o encontro será em Anaheim, Califórnia, entre 21 e 25 de abril.
Viagem feita a convite da Travel Industry Association of America (TIA) e da Delta.


