France Presse
O canadense James Cameron, vencedor do Oscar de melhor diretor pelo megasucesso ‘‘Titanic’’, tem em Hollywood a reputação de ser uma espécie de ‘‘Dr. Jekyll e Mr. Hyde’’: um homem cortês em sua vida normal e que, atrás de uma câmera, se transforma num perfeccionista autoritário e colérico.
‘‘Eu não sei quanto a vocês, mas eu estou me divertindo muito’’, declarou o cineasta, ao receber o prêmio das mãos do ator Warren Beaty.
Eufórico, não se conteve e libertou um grito em pleno palco: ‘‘Eu sou o rei do mundo!’’, uma referência à fala do personagem vivido por Leonardo DiCaprio no filme vencedor da noite.
‘‘Tive uma equipe fantástica... vocês me deram ouro em pó todos os dias e agora compartilho esse ouro com vocês’’, disse, antes de fazer um agradecimento especial a seus ‘‘produtores originais’’: ‘‘Meus pais, que estão aqui, esta noite’’.
‘‘Meu coração está a ponto de explodir’’, acrescentou, por fim pedindo uns segundos de silêncio em memória das vítimas do Titanic, as principais protagonistas de seu filme.
Falando à imprensa, com três estatuetas nos braços, o diretor brincou dizendo estar furioso por não ter batido o recorde de ‘‘Ben-Hur’’. ‘‘Estou tão chateado que prefiro nem falar’’, disse, ante o olhar divertido de sua esposa, a atriz Linda Hamilton. Mais sério, acrescentou: ‘‘Estou tão contente de ter ido àquele lugar escuro no fundo do oceano (...) Tive a possibilidade de partilhar desta experiência’’.
As coisas, no entanto, não foram tão simples no início da filmagem. ‘‘Não posso me assustar. Eu trabalho para Jim Cameron’’, era a inscrição nas camisetas usadas por seus colaboradores durante a produção de um de seus filmes anteriores, ‘‘O Exterminador do Futuro 2’’. O próprio diretor admite que seu método é muito intenso.
‘‘É impossível controlá-lo’’, comentou ao jornal Los Angeles Times o diretor de um estúdio, que não quis se identificar. ‘‘Se querem me deter, é preciso ter uma razão extraordinariamente boa’’, replica James Cameron.
O cineasta tem fama de gastar muito e confirmou isso transformando ‘‘Titanic’’ no filme mais caro da história do cinema. Antes já havia rodado ‘‘O segredo do abismo’’, por 60 milhões de dólares, ‘‘Exterminador do Futuro 2’’, 100 milhões (o primeiro a superar esta barreira), assim como ‘‘Aliens’’ e ‘‘True Lies’’.
Nascido em 16 de agosto de 1954, em Kapuskasing, na província de Ontário, no Canadá, este filho de engenheiro e de artista cresceu em Niagara Falls, antes de instalar-se com sua família na Califórnia, em 1971.
Depois de estudar física, James Cameron convenceu, em 1978, um grupo de dentistas para que o financiassem em um curta-metragem que ele mesmo escreveu, dirigiu, produziu e montou.
Em 1980, entrou na produtora de Roger Corman e foi diretor artístico de um longa-metragem de ficção científica, ‘‘Battle beyond the stars’’. Um ano depois, debutou na direção com ‘‘Piranha 2’’.
Cameron também escreveu o roteiro de ‘‘Rambo 2’’, protagonizado por Sylvester Stallone (1985), e produziu uma versão em três dimensões de ‘‘Exterminador do Futuro 2’’ para o parque temático dos estúdios da Universal.
Agora pensa em se afastar um pouco das câmeras e dedicar-se a produzir filmes dirigidos por outros até que encontre um pequeno projeto que não tenha nada a ver com a grandiosidade de ‘‘Titanic’’.

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