Semana passada, após vários dias sem aulas, meu filho chegou do colégio ostentando uma máscara e nos dizendo que deveríamos comprar um estoque de novas máscaras, pois elas deverão ser trocadas diversas vezes durante o período das aulas. Após este episódio foi que realmente me dei conta de que a famosa gripe A H1N1 está transformando a nossa vida e nossas relações interpessoais.
Se você está em algum lugar e dá um espirro, as pessoas à sua volta já lhe olham com pavor, alguns discretamente, outros, quase correndo apavorados, afastam-se de você. A gente então se vê sozinho no meio da multidão, com cara de paisagem como querendo dizer: foi só um espirro alérgico.
Não nos é mais permitido apertar a mão das pessoas, abraçar e muito menos beijar um amigo... a não ser que você tenha certeza absoluta de que seu amigo não está infectado com a gripe e vice-versa.
Todos estão em pânico e o que vemos é um quase que total descaso de quem deveria zelar por nossa saúde. Recebemos apenas conselhos vagos: usar o tal do álcool em gel específico (verdadeira febre nas farmácias e supermercados) e máscaras em lugares fechados e com grande fluxo de gente, entre muitas outras.
O que chegou devagar e discretamente, hoje nos apavora. Pessoas estão morrendo, e estamos meio perdidos sem saber o que fazer. Devemos ficar trancados em casa, prisioneiros de um vírus que está no ar? Pessoas estão morrendo e estamos perdidos sem saber o que fazer. Leio os jornais diariamente, e a cada dia as notícias são mais pessimistas. O que fazer?
Eu quero minha liberdade de volta. Quero poder gozar da companhia dos meus amigos, quero poder abraçá-los e beijá-los sem medo. Quero espirrar sem medo de ser abandonada por todos, deixada de lado como uma ''persona non grata''. Espero ser tratada com mais consideração, avisada previamente quando a situação for grave. Não deve mais ser permitido viver num mundo de fantasia e esperar que somente quando não há mais jeito as autoridades se dignifiquem a nos avisar.
PS: Antes de terminar esta crônica, meu filho voltou do colégio, onde as aulas foram suspensas mais uma vez. É brincadeira...
DEYSE CHAGAS SEGA é dona de casa em Paranavaí

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