Eu me chamo Cunegundes
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domingo, 05 de junho de 2016
Alex Francisco<br>Folhapress 
São Paulo - Elizabeth Savala, 61, atravessava uma rua no Rio de Janeiro quando foi surpreendida por um grito: "Ô dona Cunegundes!". Veio de um taxista que acenou sorrindo para a atriz e seguiu viagem, deixando-a paralisada no meio da via. Refeita do susto, ela ficou ruborizada com os aplausos de quem a reconheceu, por causa do sucesso na novela das seis "Êta Mundo Bom!" (Globo). "Algumas senhoras vieram me cumprimentar dizendo que se divertem com o meu trabalho. Para o ator que passa muito tempo na Globo gravando, esse reconhecimento no meio da rua é uma felicidade imensa", fala. "Mas eu fiquei pensando: "Não é que conseguiram decorar esse nome tão difícil? Cu-ne-gun-des"", diverte-se a atriz.
Se na história mundial Cunegundes foi rainha da Boêmia entre 1261 e 1278, a Cunegundes da ficção bem que tentou ser nobre, mas seus planos não deram certo. "Ela se casou achando que ia ter uma vida boa, e não foi bem assim. Então, teve que se impor. Para a época, a Cunegundes foi transgressora. Naquele tempo, mulher tinha que ser submissa ao marido, rezar e fechar os olhos", fala a atriz, justificando o fato de a caipira encrenqueira armar diversos planos por dinheiro e tentar, inclusive, empurrar as filhas e a cunhada para um bom casamento, a fim de salvar a única riqueza da família: uma fazenda caindo aos pedaços.
Agora, expulsa da mansão de Anastácia (Eliane Giardini) por ter maltratado Candinho (Sergio Guizé), Cunegundes tem comido o pão que o diabo amassou. Para Elizabeth, essa é a oportunidade de fazer um trabalho diferente. "Cunegundes foi de dona da fazenda a cuidadora dos porcos. Mas ela já está pensando em dar a volta por cima. Ela é esperta!", adianta a atriz. Há suspeitas de que as terras da fazenda tenham petróleo, e retomar a propriedade será uma das metas da dona Boca de Fogo, como ela é conhecida. "O nome dela é Cu-ne-gun-des! [risos] A cada semana tem uma reviravolta nova na trama. O Walcyr [Carrasco, autor] não economiza história e surpreende tanto o público quanto nós atores", conta. "Cunegundes é o papel mais difícil da minha carreira. Preciso de energia para vivê-la, pois exige de mim um esforço físico maior. Ela explode, grita, pula, cai no rio e leva raio na cabeça!"
O autor da trama sabe bem como usar a energia de Elizabeth em benefício de suas personagens, afinal, os dois fizeram sete novelas seguidas, entre 2001 e 2013. Antes de Cunegundes, a veterana foi Márcia, a ex-chacrete que encantou o público em "Amor à Vida" (Globo, 2013-2014). "O Walcyr escreve mulheres e vilãs incríveis, que nunca são punidas, até que a novela chegue ao final. Ele resgatou minha vontade de fazer personagens com essa veia cômica, que são minhas preferidas. As boazinhas são sempre mais difíceis de interpretar", comenta a atriz.
Com uma carreira repleta de heroínas, como a rebelde Malvina, de "Gabriela" (Globo, 1975), e Lili, de "O Astro" (Globo, 1977), Elizabeth foi colecionando personagens que, hoje, considera não serem bem o seu perfil. "Sou uma pessoa naturalmente divertida. Gosto de fazer graça e de ser o centro das atenções. Consigo rir de mim mesma e gosto de fazer papéis assim", fala.


