'Eu escutava tudo, mas a mente estava em outro lugar'
A Síndrome do Pânico e a depressão diagnosticados foram os motivos que levaram a assessora de eventos Ana Carolina Busso, de 24 anos, a procurar a Terapia de Vida Passada. Ela também carregava dentro de si todo tipo de medo e já estava cansada das terapias convencionais. Além disso, algumas manias presentes no cotidianos a incomodavam pela frequência com que eram realizadas.
''Tomei remédio por um tempo, mas não estava adiantando muito. Passados três anos, fiz um tratamento espiritual em Curitiba e desde sempre minha avó sugeria que eu tinha de fazer regressão, porque esses medos são casos de se verificar o que aconteceu no passado e saber os seus motivos'', ponderou.
Com um pouco de receio, Ana Carolina decidiu mergulhar em seu inconsciente. ''A gente escuta muita história de pessoas que têm medo de não voltar da regressão ou do risco de acontecer alguma coisa muito ruim. Eu tinha todos esses medos, mas eu pensei que se fosse para o meu bem e se não fizesse mal para ninguém, ótimo'', disse.
Quanto à experiência, ela comenta que é estranho relatá-las, mesmo tendo lido diversos livros acerca da temática e conversado com pessoas que já tinham passado pelo processo terapêutico idêntico. ''Eu deitei no divã e o terapeuta pediu para que eu não me reprimisse e não me criticasse pelos pensamentos e imagens que surgissem. Eu escutava tudo que acontecia no ambiente, mas a mente estava em outro lugar. Ele me perguntou sobre o ambiente, se tinha grama, areia, cimento, se estava calor ou frio.'', descreveu. Em uma sessão, Ana Carolina já constatou melhora significativa em seu estado clínico e acrescenta que vai prosseguir com o tratamento. ''Já sinto a diferença. Estou mais confiante e, embora as imagens que apareçam durante a regressão sejam sofridas, meu nível de compreensão dos fatos atuais estão aumentando'', revelou.
Madalena Yabu, terapeuta que também trabalha com Terapia de Vida Passada, comenta que prioritariamente deve haver a constatação do que acontece no contexto de vida atual. ''Às vezes, num determinado momento, as pessoas chegam a ter lapsos de cenas completamente nítidas. Então elas mesmas podem, durante um um momento de meditação, vivenciar um trecho traumático dessa vida ou de uma vida passada, e é onde ocorre a revelação''. E ainda acrescenta ''O terapeuta é apenas um instrumento para conduzir a pessoa. É o próprio ser que vai resgatar uma energia que tenha vivenciado no passado''.
Aos curiosos de plantão, que por exemplo, gostariam de saber se foram rei ou rainha em outras vidas, a ressalva dos especialistas diz respeito ao problema que isso poderia acarretar se a terapia for buscada por mera distração ou alimentação do ego. ''Pode fazer muito mal às pessoas, já que os fatos muitas vezes são perturbadores. A Terapia de Vida Passada também pode ser uma faca de dois gumes'', ponderou Madalena. Sproesser compartilha de sua opinião: ''Jamais uma pessoas deve buscar a regressão por curiosidade. E se a pessoas for cardiopata, estiver grávida ou emocionalmente descompensado também não é indicado'', acrescentou. O recado está dado.(L.O.)





