Simone Mattos
De Curitiba
CRIAÇÕES
‘‘Terminou a fase de compor pois eu comecei a ensaiar este show, estreei, fui para a estrada e agora não dá mais tempo de criar. Isso exige tempo e disponibilidade, o que agora eu não tenho. É claro que uma canção pode cair do céu, mas é cada vez mais raro. É o tal negócio: escrever ou é fácil ou é impossível e no atual momento está sendo impossível.’’
COBRANÇA
‘‘Não sei se há tanta cobrança do público sobre novas canções... Quando eu faço meus shows, acho que eles me cobram mais as músicas velhas. Eu é que me cobro músicas novas. Tenho uma necessidade minha, particular, de fazer músicas novas.’’
ENVELHECIMENTO
‘‘A fluência em compor diminui com o tempo, isto é normal. Eu não componho mais a mesma quantidade que compunha quando estava começando a carreira. A cada ano que passa estou um ano mais velho (risos) e as coisas se modificam como em qualquer outra atividade. De repente você não tem mais a mesma espontaneidade, a mesma facilidade em compor. Isto vale para tudo, não é só para a música não. É besteira pensar que depois de 35 anos eu tenho aquela mesma dose de irresponsabilidade que eu tinha aos 20. Você começa a ficar mais criterioso...’’
PARCERIAS
‘‘A parceria com o Guinga (na música ‘Você Você’) já poderia ter acontecido há uns oito ou nove anos. Recentemente ele me mandou uma fita com duas músicas e eu estava procurando fazer uma letra para ele, quando descobri que a letra já estava pronta na minha gaveta há uns sete anos... Assim é um trabalho de parceria, não há muita previsão. Uma exceção é quando você precisa fazer algo para um projeto de balé ou teatro, por exemplo, que já tem um roteiro pronto, com uma finalidade específica. Quando é uma composição avulsa, no caso dos meus discos, eu mesmo faço minhas canções sem nenhuma previsão.’’
AS CIDADES
‘‘O CD começou por duas canções que foram encomendadas, uma música para o livro ‘Terra’ do Sebastião Salgado, (‘Assentamento’) e a música para o filme do Walter Lima Júnior, ‘A Ostra e o Vento’. Foi aí que eu comecei a quebrar o gelo e as outras canções foram surgindo, buscando sempre um sentido para o disco.’’
ÍDOLOS
‘‘Como compositor gosto muito de Chico César, Paulinho Moska, Zeca Baleiro, Guinga...’’
VELHAS CANÇÕES
‘‘Talvez hoje eu retocasse algumas músicas minhas do passado, mas acho que não é o caso, é mais fácil compor novas canções. Apesar disto, recentemente eu gravei um disco com sucessos antigos, dando uma burilada nas harmonias, fazendo uma releitura das músicas.’’
PÚBLICO
‘‘O que me motiva a fazer show é poder encontrar ao meu lado gente que vem acompanhando o meu trabalho há muito tempo, uma garotada que nunca tinha me visto ao vivo, pessoas de talvez 18 anos de idade. Isto é muito interessante: poder entrar em contato com uma geração que está me conhecendo a partir do meu trabalho recente. O meu público hoje é bem heterogêneo.’’
POLÍTICA
‘‘Política não é meu métier. Não sou um homem político nem entre aspas. Se eu fosse político já teria me candidatado a alguma coisa, mas eu sou um leigo. Sou apenas um cidadão que eventualmente opina.’’
GOVERNO
‘‘Não há nenhuma das minhas músicas antigas que eu oferecesse ao governo atual, pois os tempos são outros. Eu sou crítico com esse governo, não elegi o atual presidente, mas pelo menos houve eleições. As músicas que fiz na época militar eram de outra natureza, contestavam o regime. Hoje, as canções políticas podem ser feitas abertamente, sem censura alguma.’’

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