O espanhol Alvaro Lavín, 35 anos, fala de seus personagens – Calisto e ‘‘o ator’’ – no espetáculo ‘‘Calisto – História de Um Personagem’’, da companhia Teatro Meridional.
‘‘A construção dos personagens foi simples, pois não estava sozinho. Trabalhamos juntos – o autor, o encenador e eu. O autor começou a escrever o texto no primeiro dia da montagem, a partir das nossas idéias. Foi um processo de construção de personagem acompanhado do processo de construção de texto e de encenação. Mais simples do que eu pensei ser um monólogo – tanto que nem sinto que seja um. Psicologicamente, o Calisto tem muito do Alvaro; muda de humor de uma hora para outra, é meio rabugento, mas é romântico. Me identifico mais com Calisto do que com o ator. Este, a princípio, é mais prático, enfrenta o teatro de maneira diferente, está sempre à procura de gratificações e ironiza Calisto pela sua visão teatral. Também é muito mais prático no amor. Fisicamente, tenho mais a ver com o ator. Apesar da maquiagem do Calisto, é possível ‘enxergar’ o ator por trás dessa ‘máscara’. A distinção entre um e outro é marcada pela voz, olhar, ritmo e a maneira de relaxar interiormente’’. (J.S.)

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