“Acho que as pessoas vão ao teatro para recuperar o fascínio pela existência”, assim Denise Fraga fala sobre a importância da arte e a vinda a Londrina para se apresentar no Festival Internacional de Londrina - FILO.

Quando o outro te chama para uma dança, é preciso decidir quem guiará os passos, e é partindo deste princípio, de que o Eu precisa ser visto por um olhar de fora, que foi construída a peça “Eu de Você”, criada pela atriz Denise Fraga, com produção de José Maria e direção de Luiz Villaça.

O espetáculo chega para duas apresentações no Teatro Ouro Verde, nesta terça (16) e quarta-feira (17), marcada por histórias reais, mesclando literatura, música, imagens e poesia ao cotidiano dos personagens.

Desde 2019 em cartaz, o espetáculo é um verdadeiro sucesso de bilheteria. Após dois anos de pausa durante a pandemia, a reestreia, em 2022, se deu como um suspiro para relembrar os sorrisos que ficaram escondidos temporariamente. Foi quando a arte, tão bem feita pela atriz, buscou as tradicionais máscaras do teatro para nutrir a vida com histórias, sejam elas alegres ou tristes, mas que mostram que todos são feitos de carne, osso e muita emoção.

No espetáculo “Eu de Você”, Denise Fraga brinca no palco, preenche o espaço e olha no olho da sua plateia. Em entrevista à FOLHA, ela explica o equívoco de chamarem a montagem de monólogo, já que está bem acompanhada nas apresentações: “Essa ideia de monólogo, de solo, não faz sentido para mim, estou com as meninas da banda, que são essas musicistas incríveis, também tem as pessoas que contaram aquelas histórias. É como se estivesse carregando todas elas. E tem o público, que é meu parceiraço em cena”, conta.

Os personagens Fátima, Bruno, Clarice e Wagner são apresentados pela atriz, junto de curiosidades sobre artistas conhecidos popularmente, como Chico Buarque, Paulo Leminski e Zezé Di Camargo. É um jogo de espelhos em que o Eu se reconhece em Você e, coletivamente, é criado um olhar único, mas que sente de maneira diversa o que é criado em encontros pelo caminho.

Denise Fraga: "Essa ideia de monólogo, de solo, não faz sentido para mim, estou com as meninas da banda, que são essas musicistas incríveis no espetáculo, também tem as pessoas que contaram aquelas histórias"
Denise Fraga: "Essa ideia de monólogo, de solo, não faz sentido para mim, estou com as meninas da banda, que são essas musicistas incríveis no espetáculo, também tem as pessoas que contaram aquelas histórias" | Foto: Cacá Bernardes/ Filo 2026/ Divulgação

URGÊNCIA PELA EMPATIA

A sensação criada pela peça é a de urgência pela empatia, sentimento importante para o roteiro: “Foi tão bonita a construção, a direção linda do Luiz, acho que amadureci como feitura técnica e como artista, ela me inaugurou uma nova maneira de fazer teatro. Sempre rompi a quarta parede, sendo da comédia e olhando para a plateia, mas com essa peça, desci o nível do palco e me coloquei vulnerável de cara para o público”, explica a atriz.

Nessas histórias, é possível notar um sentimento em comum, mesmo sendo um Eu tão distante, todos podem ser tocados pelo que foi vivido por aquele personagem.

Promovendo esse encontro através do teatro, entre a atriz que desce do palco e vai ao encontro da plateia, além de ser quebrada a quarta parede, é construída uma ponte, onde o olhar do público ganha importância no diálogo: “O que mais gosto de ouvir deles é que não sabem se querem rir ou chorar. As pessoas chegam emocionadas no final, me abraçam chorando e trazem novas histórias, porque a peça suscita lembranças, são presentes que ganho do público. Nunca vou parar de fazer esse espetáculo, sempre vou precisar de uma temporada aqui e ali”, conta a atriz, seus futuros planos.

CRENÇA NO COLETIVO

A construção de uma peça sensível, que destaca períodos de vulnerabilidade das pessoas, ativou a escuta de Denise, que leva em sua bagagem histórias que viraram um espetáculo: “É uma peça que nos faz acreditar muito no coletivo. Muitas pessoas levam a mãe, o pai, o namorado. Os psicanalistas indicam para os seus pacientes, e os pacientes indicam aos psicanalistas”, explica a atriz.

A montagem chega a um dos festivais de artes cênicas mais importantes da América Latina. Essa edição do FILO 2026 tem o retorno da Petrobras como patrocinadora master, da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), entre outros apoiadores. Isso marca a importância do teatro como um espaço de resistência dentro da cultura, principalmente em uma era de telas, já que a arte se faz presente quando a vida pede mais humanidade: “Acredito que uma pessoa viva muito melhor acompanhada da arte, ela serve para dar palavras para as nossas angústias, ajudarmos a ter essa sensação de fraternidade. A nossa peça dá a sensação de que a vida não pode ser só boleto, ônibus e trânsito, e acho que as pessoas vão ao teatro para recuperar o fascínio pela existência. Com Margareth Menezes no Ministério da Cultura, tem sido lindo ver que a gente conseguiu recuperar o que foi abandonado. A gente vê como as pessoas gostam de teatro e como eles estão cheios. As pessoas saem do interior e de outras cidades para ver o espetáculo, não só o nossa, mas todos os espetáculos”, celebra Denise.

Com início na última sexta-feira (12), as apresentações do FILO 2026 celebram os 58 anos de história do Festival. Essa edição terá 71 apresentações, entre espetáculos de teatro, dança, circo e música que ocorrem em diferentes locais da cidade, alguns em espaços públicos e de acesso gratuito.

SERVIÇO

"Eu de Você", com Denise Fraga

Quando: terça (16) e quarta-feira (17), às 20h

Onde: Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85 - Centro, Londrina)

Os ingressos estão esgotados

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Os ingressos para outros espetáculos do FILO 2026 estão à venda pela internet (www.diskingressos.com.br), por R$ 45,00 (inteira) e R$ 22,50 (meia-entrada).

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