‘‘Eu acho o
Batman
muito sexy’’
O diretor Joel Schumacher explica por que deu uma guinada no comportamento do Homem-Morcego
O que mais o agradou no roteiro deste novo Batman?
Schumacher - Muitas coisas. Primeiro, gostei das discussões entre Batman e Robin. O relacionamento entre Bruce Wayne e o mordomo Alfred, que neste filme está bastante doente, fez com que Bruce visse que Alfred foi um verdadeiro pai para ele e por último, o diálogo final entre Batman e Mister Freeze.
Você faria um quinto Batman?
Schumacher - Sim. Desde que George e Chris estejam também envolvidos no projeto.
Por que a mudança de tom, menos escuro e mais colorido, nos dois últimos filmes?
Schumacher - Batman é uma figura que já existe há quase 60 anos nos Estados Unidos e sempre foi bastante amargurado por causa da morte dos pais. Eu acredito que a essa altura, ele já tenha superado essa perda. Além dos mais, ele é uma figura-modelo para as crianças, por isso está mais leve agora. Batman é um personagem de ‘‘comic book’’ (literalmente, livros cômicos), não de ‘‘tragic books’’ (livros trágicos). Não somos puros em nada. Afinal, Batman é pop.
O que é preciso para se morar na mansão Wayne?
Schumacher -Três coisas: ter os pais mortos, levar uma vida dupla e ficar bem de preto.
Qual dos dois Batman que o senhor dirigiu foi mais fácil fazer?
Schumacher - O anterior me assustou um pouco. Tudo era novo. Eu ainda não tinha noção do tamanho da coisa. Este último, no entanto, apesar de já familiarizado com tudo, foi muito mais difícil, parecia que eu estava na terceira guerra mundial. Mas, o humor do elenco tornou as filmagens bem divertidas.
Por que tanto closes em determinadas partes da anatomia dos heróis?
Schumacher - Eu acho o Batman muito sexy. A platéia espera isso, e é isso que eu procuro passar. Mesmo que as crianças não percebam.
Como Arnold Schwarzenegger se envolveu com o projeto?
Schumacher - Arnold gostou muito de ‘‘Um Dia de Fúria’’ e me procurou dizendo que queria trabalhar comigo. Quando surgiu a oportunidade com o Mister Freeze eu liguei para ele e deu tudo certo. Acho que ele topou porque é o tipo de filme que os filhos dele poderão ver mais tarde sem problemas.
Por que George Clooney e como foi trabalhar com Val Kilmer?
Schumacher - Quando Val desistiu para ir fazer ‘‘O Santo’’, eu pensei logo em George, que sempre foi minha única escolha. Quanto a diferença entre os dois: preto e branco, dia e noite, bom e mau.
Ano que vem a Warner lançará um novo filme do ‘‘Superman’’, comemorando os 60 anos do herói. Em 1999 Batman também fará 60 anos, teremos então um ‘‘Batman 5’’?
Schumacher - O verão de 99 será de ‘‘Guerra nas Estrelas’’. Acho que ele sairá mais tarde. Vai depender do público. Onde há dinheiro, há sequências.
Agora, além de Batman, temos Robin e Bat-Moça. O que podemos esperar para o futuro?
Schumacher - Com tanta gente sexy andando com roupas de borracha na batcaverna, alguma coisa deve acontecer...
O senhor é um diretor bastante eclético. O que o leva a dirigir filmes sempre bem diferentes?
Schumacher - Procuro sempre melhorar como diretor e para isso, preciso me exercitar o máximo possível. Meu modelo é Billy Wilder. Me perguntaram recentemente como eu pude dirigir ‘‘Tempo de Matar’’, um filme que se sustenta nos diálogos, entre dois filmes do Batman. Eu respondi que ‘‘Tempo de Matar’’ ficou bom porque antes eu havia dirigido ‘‘Batman Eternamente’’.
Qual seu próximo projeto?
Schumacher - ‘‘The Runaway Jury’’, baseado no livro de John Grisham. Será estrelado por Sean Connery, Edward Norton e Gwyneth Poltrow e as filmagens começam em outubro deste ano.

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