Eternamente Piaf
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quarta-feira, 08 de outubro de 2003
France Presse 
A França inicia amanhã uma série de homenagens à cantora Edith Piaf. Há 40 anos, em 11 de outubro de 1963, ela morria, aos 47 anos, já consagrada como uma das vozes mais importantes da canção francesa.
Quarenta anos depois de sua morte, Edith Piaf continua figurando, com sua canção ''La vie en Rose'', entre as dez peças musicais francesas que geram mais direitos autorais no exterior, junto com ''Bolero'' de Maurice Ravel, segundo cifras da Sociedade Francesa de Autores e Compositores (Sacem).
Edith Giovanna Gassion, seu verdadeiro nome, nasceu em 19 de dezembro de 1915, em Paris. Seu pai, Louis Alphonse Gassion, era artista de circo. Sua mãe, Anetta Maillard, cantora, tinha o nome artístico de Line Marsa.
Não podendo sustentá-la, os pais a levam à Normandia, para a casa de sua
avó paterna, que administrava uma casa de encontros. Aos 15 anos, com sua meia-irmã Simone Berteaut, Edith se instalou em Paris, onde cantava nas ruas, antes de ser contratada pelo proprietário de um cabaré.
Seu aspecto frágil e sua voz impuseram seu nome artístico (piaf significa pardal). A partir daí sua carreira foi meteórica e se converteu em poucos anos no ''pardal de Paris'', a estrela indiscutível da canção francesa.
A prefeitura de Paris consagra a partir de amanhã à lendária cantora uma exposição, ''Piaf, la môme de Paris'' (Piaf, a garota de Paris).
A exposição recria sua vida através dos lugares onde viveu em Paris e os cabarés e teatros musicais nos quais cantou e triunfou. Fotos, algumas inéditas, documentos de época (cartazes, programas, trechos de jornais, discos) e cartas e objetos pessoais (a correspondência com Marcel Cerdan, que foi um grande amor, vestidos que usou em seus shows, etc.) permitem recriar a imagem de Piaf.
Além do catálogo, a exposição inclui um disco que tem o mesmo título, uma viagem de canções através de sua cidade. Numerosos outros discos são editados por ocasião deste aniversário, entre eles um ''integral'' de 20 CDs, que será lançado a 14 de outubro, e uma ''antologia'' em DVD, no dia 18 de outubro pela Capitol-EMI. Entre eles, figuram 4 CDs editados pela Universal com o título ''Os anos Polydor'', que incluem seis canções inéditas que datam dos anos 40. As gravações destas canções estavam há anos nos arquivos da Biblioteca Nacional da França, que as tinha comprado imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial por seu peso em metal. Foi um colecionador, Marc Monneray, hoje com 79 anos, que colocou a gravadora na pista destas raridades. Monneray, fã da cantora, admirava-a quando tinha 14 anos e esperava sua saída dos estúdios da Polydor em Paris para vê-la passar.Jean-Yves Billet, da Universal, que se ocupou desta reedição, estima que esses documentos mereciam ser publicados. ''Trata-se de canções acabadas. Ignoramos por que não foram retidas então para figurar nos discos, mas representam uma parte da lenda para os fãs incondicionais''.Paralelamente, numerosos intérpretes franceses aproveitam este aniversário para prestar homenagem a Piaf, entre eles Alain Bashung, Benjamin Biolay, Etienne Daho, Stephan Eicher, Charles Dumont, Mireille Mathieu e Michèle Torr.


