Eternamente Gershwin
DivulgaçãoA Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo executa obras de Gershwin hoje em Londrina: homenagem aos 100 anos do compositorETERNAMENTE GERSHWIN
Em Londrina, um concerto especial homenageia os 100 anos de George Gershwin hoje à noite
Jackeline Seglin
Ocompositor norte-americano George Gershwin será mais uma vez homenageado em Londrina. A uma semana do aniversário de nascimento do compositor, que no dia 26 completaria 100 anos, um concerto especial vai comemorar a data. A Vivarte Produções Culturais convidou a Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo para a abertura do Projeto Grandes Orquestras, com uma apresentação hoje à noite, no Cine-Teatro Ouro Verde. O concerto, que começa às 20h30, terá a participação especial do regente Aylton Escobar e do pianista londrinense Marco Antonio Almeida, além dos regentes da orquestra, Nelson Ayres e Cyro Pereira.
Marco Antônio Almeida define Gershwin como o compositor que mais brilhantemente uniu o jazz à música eruditaO concerto traz duas obras de Gershwin, uma de Astor Piazzola e alguns clássicos da MPB. O programa começa com a execução de Vera Cruz (de Milton Nascimento), sob a regência de Cyro Pereira. Em seguida, a Orquestra tocará Concerto em Fá (de Gershwin), com solo do pianista Marco Antonio Almeida e regência de Aylton Escobar. Marco Antonio prossegue como solista na obra Rhapsody in Blue (Gershwin), também com regência de Escobar.
Depois do intervalo, a Orquestra volta ao palco do Ouro Verde para executar Aquarela de Sambas (Cyro Pereira); Hora Stacatto (Danicu/Heifetz); Chiquito no Frevo (Nelson Ayres); Fuga 9 (Astor Piazolla), com arranjo e regência de Nelson Ayres; Beatriz (Edu Lobo/Chico Buarque), com solo de viola de Marcelo Jaffé e arranjo e regência de Nelson Ayres; e As Rosas Não Falam (Cartola).
A Orquestra Jazz Sinfônica, corpo musical da Universidade Livre de Música Tom Jobim, tem 85 integrantes, que são escolhidos entre grandes nomes da música paulista. Exemplos de alguns destes músicos são a flautista Marta Ozzetti, Marcelo Jaffé (viola) e Maria Vishnia (violino), do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo.
Criada em 1990, a Jazz Sinfônica atualmente realiza concertos mensais no Memorial da América Latina, acompanhando convidados expressivos da música brasileira. As apresentações são transmitidas em rede nacional pela TV Cultura.
O repertório da Jazz Sinfônica tem cerca de 300 composições e arranjos escritos especialmente para a orquestra, que vem se destacando por sua inovadora linguagem instrumental da música popular. Em 1994, foi atração no Heineken Concerts, no Rio de Janeiro e em São Paulo, ao lado de Egberto Gismonti. Outra apresentação que rendeu aplausos foi a do Projeto Amigo, em São Paulo e Belo Horizonte, com Milton Nascimento.
Agora, em Londrina, a Jazz Sinfônica terá a oportunidade de mostrar que, além de MPB, executa também clássicos da música mundial, como Gershwin.
Foi com Rhapsody in Blue e Concerto em Fá que Gershwin criou o estilo jazz sinfônico. A execução das duas peças de Gershwin por Marco Antonio Almeida é inédita, pois é de praxe que nos concertos o solista execute apenas uma.
Para o pianista, que mora há 23 anos na Alemanha, Gershwin foi o compositor que mais brilhantemente uniu o blues e o jazz americano à música erudita em forma sinfônica. Ele usou elementos do jazz - como a maneira de improvisar, os acentos, a atmosfera da Rua 47, da Broadway, dos Cotton Clubs (os templos do jazz) - misturado à influência cubana e porto-riquenha e a uma pitada de Ravel. Isso tudo deu no Gershwin que a gente conhece, observa.
Rhapsody in Blue, na opinião do pianista, é o cartão musical de Manhattan. Aliás, para quem não se recorda, a música foi trilha sonora do filme Manhattan, de Woody Allen. Já o Concerto em Fá é, talvez, a obra sinfônica mais tradicional de Gershwin e a que mais se aproxima da forma concerto clássico, define.
Interpretar Gershwin não é tarefa fácil. A rítmica própria não tem nada a ver com a rítmica brasileira e esta foi uma das maiores dificuldades que o pianista encontrou ao tocar Gershwin. A primeira vez foi na Alemanha. E a sorte foi que me deparei com um regente negro americano, George Byrd. Ele me mostrou o prazer da step dance, dos acentos, dos tempos rítmicos e não necessariamente rápidos, dos momentos dos desenhos animados que inspiraram Gershwin e dos musicais americanos do show-business.
Marco Antonio afirma que aprendeu a separar os dois tipos de ritmo. O que a obra tem em comum entre Brasil e América do Norte, que é um traço da raça negra, é a sensualidade, o místico e a ingenuidade. O tipo de ritmo é que é diferente. Você não pode tocar Rhapsody in Blue em ritmo de bossa nova, diz.
O londrinense fez várias turnês tendo Gershwin no repertório. No Brasil, participou da abertura da temporada 98 do Teatro Municipal de São Paulo como solista em Rhapsody in Blue. Em Londrina, é a primeira vez que Marco Antonio Almeida toca com a Jazz Sinfônica, que também faz sua estréia no Paraná.
Vale lembrar que o pianista vai apresentar e comentar as duas obras no programa Marco Antonio Almeida toca Gershwin, que vai ao ar hoje, às 17 horas, pela Universidade FM.





