Para preservar a memória do trabalho que o pai realizou no rádio, cinema e televisão, o ator Gracindo Jr. está organizando um livro, um CD-ROM e uma exposição. A idéia é deixar tudo pronto até o dia 16 de julho, quando Paulo Gracindo completaria 86 anos de idade. Gracindo montou uma equipe de dez pessoas, entre pesquisadores e profissionais de multimídia e, para levar adiante o projeto, está procurando estabelecer parcerias com empresas. Um acordo com a Light está praticamente fechado e a exposição pode ser montada no espaço cultural da companhia, no centro do Rio de Janeiro.
Dos quatro filhos de Paulo Gracindo, Gracindo Jr., de 53 anos, é o mais velho e o único homem - fato que ajudou a criar uma relação estreita com o pai. ‘‘Éramos muito amigos’’, conta Gracindo Jr. Para somar, o primogênito do ‘‘Bem Amado’’ seguiu a mesma carreira. ‘‘Tínhamos uma relação extra-familiar forte, éramos cúmplices e, por isso, era muito gostoso trabalhar com o meu pai’’, lembra.
Gracindo Jr. dirigiu o pai pela primeira vez em ‘‘Paulo Gracindo - O Bem Amado’’. O espetáculo era uma biografia teatralizada da vida do ator e foi o início da pesquisa que Gracindo Jr. vem realizando. Desde então, ele vem coletando dados com o objetivo de deixar um registro substancial da trajetória de Paulo Gracindo. ‘‘Eu sabia que uma biografia tinha de ser feita mas, com a sua morte, isso ficou mais forte e apressou o processo’’, diz Gracindo.
História O material é vasto. São cartazes, reportagens, fotografias, figurinos, filmes, novelas e mais as diversas comendas que Paulo Gracindo recebeu durante a sua vida. Com a reunião desse material, Gracindo Jr. quer, antes de mais nada, evitar que a obra de Paulo Gracindo entre no esquecimento como a de muitos outros - Procópio Ferreira, Oscarito e Grande Otelo, por exemplo. ‘‘A minha geração ainda se lembra de nomes como esses, mas garanto que a garotada que está aí não sabe da importância dessa gente’’, comenta. ‘‘Não há no Brasil o costume de se fazer o registro da obra de um artista, que acaba desaparecendo rapidamente’’.
Na busca de material para o seu projeto, Gracindo Jr. se viu em situações interessantes. Há alguns anos, quando fazia a apresentação de uma peça em Pelotas, no Rio Grande do Sul, ele entrou em uma loja para entregar um filme para revelar. Para seu espanto, viu pendurada na parede uma foto de Paulo Gracindo, de 1933, quando o ator passou pela cidade com a companhia de Procópio Ferreira. Gracindo Jr. tem outras preciosidades: um livro de poemas, escrito quando o pai iniciava a sua carreira, e composições de músicas - algumas, inclusive, de carnaval.
O ator pretende organizar um livro que seja recheado de muitas fotos, documentos, e que não seja exclusivamente de texto, que receberá a sua assinatura. Mas, para chegar a um ponto final, o trabalho tem sido grande. Afinal, como lembra Gracindo, o intérprete do ‘‘Primo Rico’’ e do coronel Odorico Paraguaçu teve fases bastante distintas em sua carreira.

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