Eterna nos palcos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de novembro de 1998
Sílvia Herrera Agência Estado 
A bailarina brasileira Márcia Haydée marca sua volta aos palcos com o espetáculo Visões Musicais, que estréia no dia 6, no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro, depois prossegue para Porto Alegre e São Paulo. Visões Musicais mescla bailarinos e pianista no universo dos compositores Prokofiev e Moussorgsky. O espetáculo tem duas partes, sou a coreógrafa da primeira e danço na segunda, explica a bailarina.
Na primeira parte, o público brasileiro vai conferir o trabalho de Márcia junto ao corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. São jovens muito talentosos e muito dedicados, comenta Márcia. Na segunda parte, ela coloca suas sapatilhas e mostra que aos 61 anos é ainda a melhor bailarina deste século. Esta parte é uma coreografia de Jean Christophe Blavier, um coreógrafo francês. Blavier coreografou Prokofiev especialmente para ela, em Visões Fugitivas. Blavier e Márcia são grandes amigos e foram parceiros durante muitos anos no balé de Stuttgart.
Márcia tenta desconversar, mas os 75 minutos de Visões Musicais reservam muitas surpresas. Provavelmente as novas coreografias vão deixar o público inebriado, como se o corpo de baile tomasse a forma de cores para se transformar em pinturas vivas, verdadeiras obras de arte musicais. Não tem nada de diferente, apenas dança. Uma coreografia com bases clássica e movimentos livres de imagem, argumenta. Mas quem conhece sua trajetória sabe que ela está sendo modesta. Esta coreografia, feita por ela e intitulada Quadros de uma Exposição, traz no elenco as prováveis futuras estrelas do balé: André Valadão, Renata Versiani, Fernanda Diniz, Bruno Cezário, Rodrigo Negri, Cristiane Quintan, Norma Pinna e Denizard Dennis.
A inspiração de Márcia para esta coreografia, como o nome já diz, são os quadros de uma exposição e o universo musical do compositor russo Modest Moussorgski. Fora dos padrões, o pianista Braz Velloso vai subir ao palco junto com os bailarinos e o público vai poder conferir a materialização de várias pinturas, por meio dos movimentos dos bailarinos e da música. Mais: as tintas também podem aparecer.


