Cidade do frevo e do mangue beat, Recife borbulha. Seja na eterna manifestação artística e cultural, seja na constante revitalização de seu patrimônico histórico ou na condição de metrópole nordestina.
A Avenida Boa Viagem é o exemplo da modernidade: sete quilômetros de praia e mar protegidos pelos arrecifes que dão nome à cidade e bordados por edifícios com hotéis, restaurantes, bares e boates. Um pólo de lazer dia e noite.
Mas a bela orla urbanizada é só o aperitivo para a visita. Recife é descoberta aos poucos. Surpreende por suas construções antigas ofuscadas pelo progresso. Decepciona pelo trânsito caótico.
Primeira parada: o Bairro do Recife, ou Recife Antigo. Foi lá que surgiu a cidade no século 16, com o porto e uma praça que servia de atracadouro atualmente, o Marco Zero, local do ousado Parque de Esculturas do pernambucano Francisco Brennand. Para ver as obras contemporâneas de perto basta pegar um barquinho.
Dali é um pulo até o conjunto de casarões do século passado, restaurado pelo governo e a iniciativa privada e ainda com partes em processo de recuperação. Hoje, valioso Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O calçamento, com os velhos trilhos de bonde, e a iluminação, mantêm-se intactos como testemunhos do passado. Em destaque, as Igrejas Nossa Senhora do Pilar e da Madre de Deus e a Torre Malakoff, de estilo tunisiano.
Alguns passos e chega-se à famosa Rua do Bom Jesus (Antiga Rua dos Judeus), a mais agitada do pedaço, endereço da primeira sinagoga das Américas. Então, a dica é escolher uma mesa na calçada e provar a típica batida de cajá. Pontos de interesse ali? Espaço da Cultura e do Artesanato Pernambucano (que costuma armar exibições especiais) e Empório Bom Jesus, charmoso, para lanches.
A rota histórica do Recife não tem fim. Continua com a visão do casario da Rua da Aurora, do século 19, refletido sobre as águas do Rio Capibaribe. Quem quiser ver a cidade antiga de longe e admirar algumas de suas 49 pontes, deve embarcar num passeio de catamarã às 16h ou às 20h. Sim, iluminada ela é um espetáculo.
Para mergulhar ainda mais no passado, o Museu da Cidade do Recife, no Forte das Cinco Pontas edificado pelos holandeses em 1630 e mais tarde reconstruído tem um acervo que retrata a revolução urbana. Todo dia 12, realiza oficinas de arte e cultura abertas ao público.
Hora das compras. Jóias, renda, souvenires, peças em madeira, telas... artesanato de todo Pernambuco. Vá logo no lugar certo: a Casa da Cultura. Estabelecida no prédio onde funcionou, até 1973, uma penitenciária, é um mercado com quatro alas e serviços de primeiro mundo (banco 24 horas, por exemplo). As lojas ficam nas antigas celas. Uma única original se preserva para o olhar de curiosos.
Cansado? O tour pelo centro do Recife pode terminar na Praça da República, formada por três jardins com bancos, esculturas clássicas e uma fonte luminosa. Ao redor, os suntuosos Palácio do Campo das Princesas, Palácio da Justiça e Teatro Santa Isabel. ''Parece Paris!'', diz, orgulhoso, um nativo.

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