Madri - É um clássico leitor aquele que, diante de um jornal em papel, vai direto ao caderno de cultura em busca de sua primeira leitura: as tirinhas. O jornalista Paulo Ramos, porém, recentemente levou a prática a um extremo - durante um ano, ele leu essas histórias em 94 diários brasileiros, em todas as capitais e no Estado de São Paulo.
O resultado é a pesquisa "Raio-X das Tiras no Brasil", em que o também professor do departamento de letras na Unifesp mapeia as tirinhas publicadas no Brasil. As conclusões foram publicadas em setembro na revista do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP. "Chamava a atenção o fato de as tiras terem encontrado nas mídias virtuais um novo local de circulação. Faltavam, no entanto, dados que permitissem uma leitura comparativa com os jornais."
Os jornais impressos foram, durante o século 20, o meio predileto de circulação de tirinhas. Já não são mais. Seu futuro, para o pesquisador, está na internet, enquanto diários suspendem seus espaços dedicados para os quadrinhos. O "Jornal do Brasil", por exemplo, encerrou a publicação de suas tirinhas em 2008, diz Ramos. A adoção de um novo suporte é um curioso passo para as tirinhas, que se desenvolveram no espaço limitado da página do jornal - como as tirinhas publicadas pela "Ilustrada", em geral com apenas três quadrinhos. "Tem havido um alargamento no tamanho das tiras produzidas na internet. É como uma camisa de força que, de uma hora para outra, é aberta", afirma. "Mesmo assim, os autores têm mantido a tendência de as tiras serem construídas em narrativas curtas", diz o autor.

mockup