A British Health Education Authority, de Londres, fez recentemente um apelo à indústria cinematográfica para que fossem reduzidas as cenas em que os astros aparecem fumando nas telas. Segundo essa entidade, a ‘‘glamourização do fumo’’ acaba seduzindo uma boa parcela da população jovem. Já o escritor Richard Klein, autor do livro ‘‘Cigarros São Sublimes’’ (Editora Rocco), chama a atenção para o fato de os Estados Unidos terem declarado guerra ao fumo e, ao mesmo tempo, ameaçado retaliar países como a Tailândia, por terem ameaçado proibir a importação do cigarro americano.
O livro de Klein cita passagens como a do filme ‘‘Casablanca’’ - no qual, segundo ele, só a personagem Ilsa, interpretada por Ingrid Bergman, não fuma - e contém fotos em preto e branco de várias personalidades internacionais fumando. ‘‘Os cigarros já fazem mal o bastante, não precisam ser demonizados’’, afirma o escritor, que abandonou o vício logo depois de terminar o livro.
A pesquisa divulgada em Londres incluiu os dez filmes de maior bilheteria na Inglaterra, exibidos entre 1990 e 1995 e revela que o número de cenas associadas ao cigarro saltou de 83 para 298, nesse período. Só no filme ‘‘Waterworld’’, dirigido por Kevin Costner, foram registradas 121 cenas. ‘‘O Casamento de Muriel’’ ficou em segundo lugar, com 62 e ‘‘Apollo 13’’ em terceiro, com 53.
Outros filmes têm menos cenas mas, nem por isso, segundo a entidade inglesa, deixam de influenciar negativamente os adolescentes. Entre os filmes mais famosos em que o fumo aparece com destaque estão ‘‘Cortina de Fumaça’’, de Wayne Wang - a história se passa dentro de uma tabacaria - e ‘‘Bonequinha de Luxo’’, com Audrey Hepburn. A atriz Sharon Stone também aparece fumando um cigarro na famosa sequência em que ela cruza e descruza as pernas, em ‘‘Instinto Selvagem’’. Mas será que alguém notou?

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