Estudo aponta a influência do cinema
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de dezembro de 1998
Ademir Fernandes Agência Estado 
A British Health Education Authority, de Londres, fez recentemente um apelo à indústria cinematográfica para que fossem reduzidas as cenas em que os astros aparecem fumando nas telas. Segundo essa entidade, a glamourização do fumo acaba seduzindo uma boa parcela da população jovem. Já o escritor Richard Klein, autor do livro Cigarros São Sublimes (Editora Rocco), chama a atenção para o fato de os Estados Unidos terem declarado guerra ao fumo e, ao mesmo tempo, ameaçado retaliar países como a Tailândia, por terem ameaçado proibir a importação do cigarro americano.
O livro de Klein cita passagens como a do filme Casablanca - no qual, segundo ele, só a personagem Ilsa, interpretada por Ingrid Bergman, não fuma - e contém fotos em preto e branco de várias personalidades internacionais fumando. Os cigarros já fazem mal o bastante, não precisam ser demonizados, afirma o escritor, que abandonou o vício logo depois de terminar o livro.
A pesquisa divulgada em Londres incluiu os dez filmes de maior bilheteria na Inglaterra, exibidos entre 1990 e 1995 e revela que o número de cenas associadas ao cigarro saltou de 83 para 298, nesse período. Só no filme Waterworld, dirigido por Kevin Costner, foram registradas 121 cenas. O Casamento de Muriel ficou em segundo lugar, com 62 e Apollo 13 em terceiro, com 53.
Outros filmes têm menos cenas mas, nem por isso, segundo a entidade inglesa, deixam de influenciar negativamente os adolescentes. Entre os filmes mais famosos em que o fumo aparece com destaque estão Cortina de Fumaça, de Wayne Wang - a história se passa dentro de uma tabacaria - e Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn. A atriz Sharon Stone também aparece fumando um cigarro na famosa sequência em que ela cruza e descruza as pernas, em Instinto Selvagem. Mas será que alguém notou?


