Estudantes são influenciados por descrédito
A democracia é uma musa que não perdeu a admiração dos que defendem a importância de um regime de governo em que o poder de tomar as decisões importantes é do povo.
Porém, a imagem dos políticos, figura criada para representar a sociedade, está um tanto desgastada não só entre os adultos - velhos de guerra - como também no meio das crianças.
Para o doutor em Ciências Sociais pela PUC/SP César Bueno, professor de Sociologia na Unifil e PUC - Londrina, as crianças e jovens estão começando a refletir a apatia dos adultos em relação à política.
Apesar de demostrar que tem informações e que já se preocupa com os processos políticos e os rumos da democracia, o grupo de estudantes debatedores formado por Karen Hortência Almeida Marcelino, Aryel Lopes Miranda, Matheus de Assumpção, Lucas Henrique Teixeira Mendonça, Andreza Caroline Silva dos Passos, Isaque Fricelle, Thiago Vinícius Alves da Cunha e Mayara Paduan dos Santos, que participaram do debate promovido pela Folha, comprova a afirmação do sociólogo ao revelar a opinião sobre os políticos.
Ao serem questionados sobre o que pretendem ser no futuro, os estudantes responderam as mais variadas profissões, como juiza, ator, cantora, militar, biólogo, entre outras atividades, mas político nenhuma criança mostrou simpatia pela carreira.
Na avaliação de Bueno, a política passa por um processo de descrédito por causa da qualidade dos políticos.
''As crianças precisam discutir que não é isso, já que a política passa pelo preço do leite, a qualidade do ensino, da escola e da saúde. Tudo depende da política. Somos condenados a fazer política'', comenta o sociólogo, acrescentando que debates como o promovido pelo jornal estimulam a reflexão dos estudantes sobre a participação política.
Exemplos dessa participação vem de longe, de estudantes do Distrito Federal (DF), Ceará (CE) e Minas Gerais (MG). Eles tiveram três propostas selecionadas pela Câmara dos Deputados para o projeto Câmara Mirim 2007.
Os projetos das estudantes Karinne Souza Mendonça, 11 anos, (DF), que dispõe sobre o trabalho infantil; Mallena Nogueira Lira, 13 anos, (CE), que trata do transporte de estudantes em pau-de-arara; e Larissa Nicolau Fernandes Gonçalves,12 anos, (MG), que assegura a igualdade de tratamento de autoridades e cidadãos perante a lei; foram encaminhados à Câmara com 211 propostas da alunos da quarta série à oitava do ensino fundamental.
O sociólogo londrinense considera que a estímulo ao debate e outros projetos como esse oferece condições para termos adultos mais participativos e críticos na sociedade. (F.L.)





