Estudantes monitoram água que abastece cidade
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quarta-feira, 04 de junho de 2003
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Lucas Henemann e Nicolas de Souza: contribuição para melhorar a qualidade de vida em Quatro Barras
Curitiba - A represa do Rio Iraí, na Região Metropolitana de Curitiba, é responsável pelo abastecimento de água de cerca de um milhão de habitantes. E frequentemente a represa sofre com os problemas provocados pela poluição. Apostando na educação, como uma das alternativas para preservar a qualidade da água e também para compensar o impacto ambiental provocado pela construção da represa, a Sanepar contratou ambientalistas que desenvolveram o projeto batizado de ProLago do Iraí.
O projeto é de autoria da ambientalista Teresa Urban e vem sendo executado pela Organização Não Governamental (ONG) Mater Natura. Seu objetivo é conscientizar a população dos cinco municípios que integram a Área de Preservação Ambiental (APA) do Iraí, de que a região merece cuidados especiais por conter mananciais. ''Queremos que a população passe a observar e lutar por melhorias na qualidade ambiental e consequentemente nas suas vidas'', explica um dos coordenadores de atividades do projeto, Rodrigo Filipak Torres.
Para isso, o grupo desenvolve várias atividades com a comunidade. Mas o público principal são estudantes do ensino médio. Semanalmente eles fazem coleta e análise da qualidade da água nos quatro rios que abastecem a represa: Timbu, Canguiri, Curralinho e Cercado.
A água passa por cinco exames químicos (PH, DQO, fosfato, nitrogênio e oxigênio) e quatro exames físicos (turbidez, cor, odor e temperatura). Normalmente são monitorados, no mesmo dia, dois pontos do mesmo córrego. Um ponto na nascente, onde a qualidade da água é quase sempre muito boa, e outro, localizado normalmente depois de alguma área de aglomeração populacional. Nesse local quase sempre são encontrados problemas como concentração de nitrogênio e fosfato, o que significa que a água vem recebendo esgoto. O nitrogênio é um sinal da presença de urina na água e o fosfato indica que há presença de sabão e detergente.
Os adolescentes Lucas Henemann e Nicolas Mottin de Souza, ambos com 15 anos, fazem parte do ProLago e acreditam que vão contribuir para melhorar a qualidade de vida em Quatro Barras, cidade onde moram. ''O projeto cresceu na cidade e estamos acreditando nele'', diz Lucas. Seu colega Nicolas já consegue identificar os resultados da educação ambiental. ''Começa pela maneira como a gente trata o lixo. Os estudantes que não participam do projeto não têm a preocupação de separar e jogar em locais adequados'', analisa.
Hoje o ProLago envolve 70 estudantes de sete escolas, dos cinco municípios que integram a Bacia do Iraí (Quatro Barras, Campina Grande do Sul, Colombo, Pinhais e Piraquara). Além disso, há programas voltados para a comunidade em geral e para as indústrias da região.
''Ainda não conseguimos perceber uma melhoria na qualidade da água, mas os órgãos responsáveis, como a Sanepar e o Instituto Ambiental do Paraná, estão muito mais atentos e sensíveis para resolver os problemas que detectamos'', conta Torres. O que os estudantes já descobriram é que o esgoto e o lixo são os principais inimigos dos rios da região.


