Eles são trapalhões muito engraçados, em alguns momentos desafiam a física e seus diálogos casam-se perfeitamente às loucuras que fazem no palco. Laurent Serre, Philipe Etienne e Christophe Philipe formam a trupe Les Cousins (‘‘Os Primos’’), que tem passagem meteórica esta noite em Curitiba: os três pisam no palco do Guairão, às 21 horas, com o espetáculo ‘‘Ufa, Até que Enfim!’’ (‘‘C’est pas Domage’’).
O enredo não tem começo, meio e fim – mostra aquilo que pode acontecer num relacionamento entre três pessoas. Logicamente que os números beiram o surrealismo – numa cena um dos atores faz o papel de uma bola, e fica pulando na horizontal (impulsionado pelas mãos e pelos pés), enquanto outros dois conversam animadamente... em português!
Os artistas não fazem idéia daquilo que estão falando, mas esse é um dos charmes da apresentação: a cada país que visitam, decoram o idioma pátrio. Para a platéia é um presente a mais, enquanto acompanha a sucessão de números circenses dos rapazes, como o aplaudido jogo de bolas, ou um incrível equilíbrio sobre um amontado de cadeiras colocadas sobre a mesa. Eles também brincam com a seriedade da música erudita executando uma sinfonia de buzinas, e desenham passos de balé.
Seria este um exemplar do Novo Circo Francês? Nada disso. Fundado em 1990, pouco antes do termo ser cunhado, o ‘‘Les Cousins’’ não quer se enquadrar neste ou naquele rótulo. A liberdade ainda é a mais apetitosa matéria-prima existente. ‘‘As etiquetas nos deixam entediados. Não defendemos o circo tradicional e nem o Novo Circo’’, deixa claro Laurent. ‘‘Gostamos de estar no limiar e de chamar o que fazemos de circo tradicional contemporâneo’’.
Mesmo assim Philippe (que prefere ser chamado de Julot, da mesma forma que Laurent e Christophe atendem pelos respectivos nomes de Lolo e René) curva-se à importância dos movimentos mais recentes. ‘‘A chegada do novo circo permitiu a revitalização do espírito circense e o surgimennto de novas e originais formas de expressão’’. Porém, frisam que as referências tradicionais são a base artística do grupo. ‘‘É onde estão nossas raízes’’, observa Lolo.
‘‘Ufa, Até que Enfim!’’ é um espetáculo viajado – conquistou os principais festivais de teatro da Europa, como Avignon e Aurillac, e o australiano Perth. Essa informação apenas ratifica a importância do ‘‘Les Cousins’’, que passou a existir graças ao encontro dos artistas num cabaré de Tóquio. Eles ganhavam a vida como palhaços, malabaristas e equilibristas naquela cidade. A química deu tão certo que se decidiram pela criação da companhia, assim que voltaram à França.
A escolha do nome – Os Primos – foi a maneira que encontraram para homenagear a grande família circense. E como tal, os três, apesar das habilidades que ostentam, dão duro no batente. Somente para o número do balé ensaiaram durante nove meses com um bailarino clássico. Eles não negam que o cinema tem forte influência em suas carreiras, especialmente os filmes de Buster Keaton, irmãos Marx e Charlie Chaplin. Todos cartazes do cinema mudo. Agora, é pegar ou largar: ‘‘Les Cousins’’ esteve pela primeira vez no Brasil em 1995, numa turnê nacional. Ninguém – nem mesmo eles – sabem quando voltarão ao País, muito menos se passarão novamente por Curitiba.
•‘‘Les Cousins’’, grupo de malabarismo, acrobacia e equilibrismo francês, apresenta o espetáculo ‘‘Ufa!, Até que Enfim’’. Dia 24, às 21 horas, no Guairão. Ingressos: R$ 25,00 e R$ 20,00 (estudantes e aposentados).

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