ESTRIPULIAS EM CENA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Eles são trapalhões muito engraçados, em alguns momentos desafiam a física e seus diálogos casam-se perfeitamente às loucuras que fazem no palco. Laurent Serre, Philipe Etienne e Christophe Philipe formam a trupe Les Cousins (Os Primos), que tem passagem meteórica esta noite em Curitiba: os três pisam no palco do Guairão, às 21 horas, com o espetáculo Ufa, Até que Enfim! (Cest pas Domage).
O enredo não tem começo, meio e fim mostra aquilo que pode acontecer num relacionamento entre três pessoas. Logicamente que os números beiram o surrealismo numa cena um dos atores faz o papel de uma bola, e fica pulando na horizontal (impulsionado pelas mãos e pelos pés), enquanto outros dois conversam animadamente... em português!
Os artistas não fazem idéia daquilo que estão falando, mas esse é um dos charmes da apresentação: a cada país que visitam, decoram o idioma pátrio. Para a platéia é um presente a mais, enquanto acompanha a sucessão de números circenses dos rapazes, como o aplaudido jogo de bolas, ou um incrível equilíbrio sobre um amontado de cadeiras colocadas sobre a mesa. Eles também brincam com a seriedade da música erudita executando uma sinfonia de buzinas, e desenham passos de balé.
Seria este um exemplar do Novo Circo Francês? Nada disso. Fundado em 1990, pouco antes do termo ser cunhado, o Les Cousins não quer se enquadrar neste ou naquele rótulo. A liberdade ainda é a mais apetitosa matéria-prima existente. As etiquetas nos deixam entediados. Não defendemos o circo tradicional e nem o Novo Circo, deixa claro Laurent. Gostamos de estar no limiar e de chamar o que fazemos de circo tradicional contemporâneo.
Mesmo assim Philippe (que prefere ser chamado de Julot, da mesma forma que Laurent e Christophe atendem pelos respectivos nomes de Lolo e René) curva-se à importância dos movimentos mais recentes. A chegada do novo circo permitiu a revitalização do espírito circense e o surgimennto de novas e originais formas de expressão. Porém, frisam que as referências tradicionais são a base artística do grupo. É onde estão nossas raízes, observa Lolo.
Ufa, Até que Enfim! é um espetáculo viajado conquistou os principais festivais de teatro da Europa, como Avignon e Aurillac, e o australiano Perth. Essa informação apenas ratifica a importância do Les Cousins, que passou a existir graças ao encontro dos artistas num cabaré de Tóquio. Eles ganhavam a vida como palhaços, malabaristas e equilibristas naquela cidade. A química deu tão certo que se decidiram pela criação da companhia, assim que voltaram à França.
A escolha do nome Os Primos foi a maneira que encontraram para homenagear a grande família circense. E como tal, os três, apesar das habilidades que ostentam, dão duro no batente. Somente para o número do balé ensaiaram durante nove meses com um bailarino clássico. Eles não negam que o cinema tem forte influência em suas carreiras, especialmente os filmes de Buster Keaton, irmãos Marx e Charlie Chaplin. Todos cartazes do cinema mudo. Agora, é pegar ou largar: Les Cousins esteve pela primeira vez no Brasil em 1995, numa turnê nacional. Ninguém nem mesmo eles sabem quando voltarão ao País, muito menos se passarão novamente por Curitiba.
Les Cousins, grupo de malabarismo, acrobacia e equilibrismo francês, apresenta o espetáculo Ufa!, Até que Enfim. Dia 24, às 21 horas, no Guairão. Ingressos: R$ 25,00 e R$ 20,00 (estudantes e aposentados).


