Estrelas brilham na avenida
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 1997
Ana Cristina Ioselli e Ana Lúcia do Vale TV Press 
Luiza Dantas e Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasValéria Valenssa: a Globeleza sai pela Império Serrano, mas seu coração também balança pelo Salgueiro
Basta o Carnaval se aproximar para as estrelas da tevê acotovelarem-se em busca de um lugar ao Sol que, diga-se de passagem, nesta época do ano brilha mais intensamente entre as lantejoulas e os paetês das escolas de samba. Como já é de praxe, afloram as polêmicas. De um lado, a facção mais ortodoxa das comunidades querendo expulsar os supostos aproveitadores. De outro, os artistas. Tanto os que amam o Carnaval de coração quanto os que apenas visam os holofotes acabam misturando-se num saco de gatos onde o que fica mais evidente é o oportunismo.
A atriz Cláudia Mauro, que há três anos desfila como madrinha da bateria da Unidos de Porto da Pedra, é um caso à parte. Ela diz que desconhece o que é discriminação. Escolada no posto, Cláudia acredita que só são tratadas com preconceito aquelas modelos e atrizes que aparecem na hora do desfile, sem nem mesmo saber a letra do samba.
A polêmica das madrinhas de bateria é antiga e já envolveu gente como Monique Evans, Isabel Filardis, Vanessa de Oliveira, Luiza Brunet e muitas outras modelos e dublês de atrizes. Este ano, a protagonista do bafafá foi uma musa que, embora não seja atriz, não sai do foco da mídia graças a seu rebolado ímpar. Quando a louraça Carla Perez, do grupo É o Tchan, anunciou aos quatro ventos que seria madrinha da bateria do Salgueiro, a Velha Guarda se revoltou.
ReproduçãoAla ortodoxa do Salgueiro não quis Carla Perez como madrinha da bateria destaque
Mas logo chegou a turma do deixa disso para amenizar a situação. Afinal, perder Carla Perez significaria perder o que promete ser a maior sensação da avenida. Conclusão: Carla perdeu o posto de rainha, mas sairá como destaque num carro alegórico. Foi selada a paz.
RadicaisA Unidos do Viradouro foi radical. A direção da escola não admitiu nenhum artista, sob a alegação de que este ano não serviria de vitrine para ninguém. Mas não são todas as escolas que reagem mal à presença das estrelas. A União da Ilha do Governador, por exemplo, vai abrir o desfile com ala dos artistas, onde estarão presentes Vanessa Lóis, Angela e Leandra Leal, Luis Salém e Jonas Bloch, entre outros.
Luiza Dantas e Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasPaula Burlamaqui é destaque dos Acadêmicos do Grande Rio
A Acadêmicos da Rocinha traz boa parte do elenco de Perdidos de Amor. A Acadêmicos do Grande Rio também terá uma ala de artistas, que este ano terá como madrinha Andréa Guerra. É uma emoção tão grande, que mesmo quem não sabe sambar é contagiado pela bateria, minimiza Andréa, desculpando previamente os que têm menos molejo.
Andréa, assim como Gerson Brenner, que sai em várias escolas, vão capitalizar com o Carnaval não só na avenida. Os dois estão escalados pela Manchete para cobrir os bailes de Carnaval. Gerson, que faz o trabalho há três anos, já tem até uma cartilha do bom repórter improvisado. Pergunto sempre se a pessoa sai em alguma escola, se é a primeira vez que vai ao baile, se for mulher, se é modelo e manequim, essas coisas, ensina.
Com todo aquele corpanzil, espalhado em 1,90 m de altura, Gerson garante que não precisa de segurança quando cobre os bailes gays. Jura que nunca recebeu uma cantada, mas avisa que é preciso ter jogo de cintura para segurar a língua dos entrevistados em plena madrugada. Às vezes eles falam palavrões e aí pega mal, diz, com conhecimento de causa. Entre as escolas de samba que faz questão de desfilar está a Império Serrano.
Luiza Dantas e Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
A Império é também a escola que Taís Araújo escolheu, na última hora, para desfilar. Apesar do pouco tempo, Taís foi acolhida de braços abertos como rainha da bateria, configurando ao lado de Cláudia Mauro as únicas duas atrizes a ocupar o cobiçado posto.
Adriane Galisteu não sairá à frente da bateria, mas vai desfilar no carro Fauna e Flora, da Portela, apesar de também ter decidido às pressas. O mesmo tratamento não recebeu Valéria Valenssa, que foi detonada pela Portela por ter demorado à dar uma resposta à escola. Acabou queimada na fogueira das vaidades carnavalesca.
Em PortugalQuando o Carnaval estiver esquentando no Brasil, a atriz Leila Lopes vai estar a milhas de distância do país. A sensual intérprete da Suzane, de O Rei do Gado foi convidada para ser a Rainha do Carnaval na cidade de Sinis, em Portugal. Segundo Leila, ela foi escolhida em função da repercussão da novela em terras lusitanas. Essa mesma homenagem foi prestada ano passado à Tereza Seiblitz, que fazia a cigana Dara em Explode Coração, e, no ano anterior, à Cláudia Raia, por causa da Maria Escandalosa de Deus nos Acuda.
Mas, ao contrário do Carnaval nacional, onde as estrelas acabam ficando identificadas na proporção inversa de seus trajes sumários, as festanças de além-mar vão render a Leila a coroação como Rainha, com direito a baile pomposo, cedro e manto. Foi uma grande honra, orgulha-se.


