Estrela sem brilho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Rafael Ceribelli <br> <br> Reportagem Local 
Atenção: esta é uma versão verdadeira dos fatos. Ou, pelo menos, é nisso que o filme ''Sete Dias com Marilyn'' - que estreia hoje no Cine Com-Tour/UEL - quer que você acredite. Logo no começo da projeção do longa, percebemos um esforço incomum para associar a história da narrativa aos fatos ocorridos durante a curta estadia da atriz americana Marilyn Monroe em Londres, em 1957, durante as gravações da comédia ''The Prince and the Showgirl''.
Mas, mesmo baseado na autobiografia do cineasta inglês Colin Clark (Eddie Redmayne), infelizmente qualquer semelhança com a realidade é exterminada logo nos primeiros minutos do filme; e talvez, por isso mesmo, exista a necessidade do longa sempre se autoafirmar como sendo 'factual'. Através de uma narrativa em off, conhecemos os pensamentos do jovem Clark, filho de uma família aristocrática que sonha em se arriscar no mágico mundo do Cinema. Perseguindo essa ambição, o garoto insiste, até conseguir, a vaga de terceiro assistente do diretor Laurence Olivier - seu trabalho é o de buscar cafezinho e, na maior parte do tempo, apenas observar a ação dentro do set.
A perspectiva do filme muda quando surge a figura deslumbrante de Marilyn (Michelle Williams) - que, na época, estava quase atingindo o ápice de sua fama mundial. A comoção é imediata, a mídia britânica e os fãs ficam fascinados pela diva hollywoodiana, e não é por menos: a graciosidade da atriz é hipnotizante e, em seus melhores momentos na tela, Williams consegue realmente transmitir um pouco da essência que transformou Monroe em ícone máximo da 'Femme Fatale'.
Infelizmente, ao invés de potencializar essa personagem interessante, o roteiro consegue estragar o prazer da sua companhia. Desde o primeiro dia de filmagem, Marilyn é retratada como sendo insegura, tímida e, em última instância, irritante. Seu elenco de apoio também não ajuda em nada - cercada de personagens caricatos, que parecem andar de um lado para o outro definidos por rótulos como ''o assistente que já teve um caso com Marilyn'', ''a tutora superprotetora'', ''o mordomo bacana'' e até o ''marido ausente'', um desperdício do personagem que representa o escritor Arthur Miller (Dougray Scott).
Não encontrando seu ritmo entre a comédia e o drama, a direção de Simon Curtis é irregular, prejudicando ainda mais a história trivial. Claro que Marilyn vai encontrar, no cantinho do set, os olhares atentos de Clark, e óbvio que ele é o único que ''realmente entende'' a coitadinha, que está perdida e fragilizada no meio de tanta fama. E essa historinha de amor é tão previsível que acaba apagando até a ótima presença da protagonista, que não sabe se chora, ri ou compra uma bicicleta.
Seguindo os passos do fraco ''A Dama de Ferro'' (pelo qual Meryl Streep ganhou, merecidamente, o Oscar de Melhor Atriz este ano), o longa ''Sete Dias Com Marilyn'' tem toda sua força dramática baseada apenas na forte atuação de sua personagem principal. Mas, apesar da perfomance hipnotizante de Michelle Wiliams, não existe Chanel nº 5 que consiga transformar isso em um filme atraente de verdade.


