A frase seguinte documenta uma possível reviravolta na história do mercado fonográfico brasileiro: Maria Bethânia acaba de se tornar uma artista independente. Desligada da BMG, pela qual lançou há pouco ''Maricotinha'', a artista acaba de assinar contrato para três discos com o selo independente carioca Biscoito Fino.
Trata-se de independência de luxo, é verdade. O selo é de propriedade de Olivia Hime, também cantora, e de Kati Almeida Braga, acionista do banco Icatu e sócia, no ambiente cultural, da Conspiração Filmes e da distribuidora de cinema LumiŠre.
A empresária de Bethânia, Maria Luísa Jucá, jura que o contrato não fica a dever economicamente a um de multinacional, mas admite que artistas do tamanho de Bethânia têm perdido terreno no mercado em crise: ''Os artistas da geração dela não se rendem ao mercado, e por isso não estão tendo mais lugar nas gravadoras''.
O selo, que possui em seu elenco Miúcha, Francis Hime e Sérgio Santos, trabalha com distribuição da independente Kuarup, mas deve se adaptar a Bethânia. ''Faremos um modelo específico, para que seu disco seja admiravelmente bem distribuído'', diz a banqueira.

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