ESTRELA EM NOITE DE GALA
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Elisa Marilia Carneiro Enviada a Joinville 
A forma brasileira inusitada de miscigenar culturas abriu anteontem o 19º Festival de Dança de Joinville, com coreografias de um israelense e de um iraniano interpretados pelo Balé Cidade de São Paulo, e fechou com a estrelíssima bailarina clássica Cecília Kerche e o jovem Marcelo Gomes, num magnífico pas-de-deux.
Dualidade@br, do iraniano Gagik Ismailian, emocionou o público com os fados portugueses cantados por Amália Rodrigues. A coreografia usou o que a melodia tem de mais sensual para criar movimentos de amor violento, quase tribal, ao mesmo tempo que pétalas vermelhas caiam sobre os bailarinos. Com figurino minimalista e sem cenário, os bailarinos puderam colocar toda sua expressão em solos, duos e trios.
Em seguida, o Balé Cidade de São Paulo fez o jogo das cadeiras numa coreografia divertida, inspirada num ensaio do filósofo Spinoza, com música de Bach. Axioma 7, do israelense Ohad Naharin, faz referência aos relacionamentos humanos, ao amor, à fragilidade e às sensações espontâneas, com figurino vermelho sugerindo paixão, sangue e desejo.
A estrela de primeira grandeza Cecília Kerche dançou com uma discreta faixa no joelho recém operado. Ela escolheu o bailarino brasileiro Marcelo Gomes, atualmente solista no American Ballet Theater, de Nova York, para dançarem o Cisne Negro - terceiro ato de O Lago do Cisne.
A jovialidade, leveza e perfeição dos movimentos dos partners, foram levados ao palco com a segurança de quem sabe o que faz. A coreografia foi um misto das mais belas versões já realizadas para o Cisne Negro. Esta foi a 11ª vez que Cecília participa do Festival de Dança de Joinville. A seguir a entrevista que ela concedeu à Folha2, por e-mail.
O que é a dança para você?
É a forma de expressão mais completa do ser humano.
De que forma você acompanha a evolução da dança?
Vivo a dança. Inclusive meu nome hoje é griffe de artigos femininos e masculinos para dança, e já atravessou fronteiras.
Como essa evolução interfere no seu trabalho?
Recria-me a cada vez que piso no palco
Porque escolheu Marcelo Gomes para o pas-de-deux?
Devido às suas características de danseur noble.
Em que escolas estudou e com que professores?
Só estudei em São Paulo, com Vera Mayer, Halina Biernacka e Pedro Krasczczuk, que além de meu coach é meu marido e foi quem desenvolveu as minhas sapatilhas.
O que mais a fascina na dança?
A magia que ela exerce sobre as pessoas.
O que é mais difícil?
A falta de companhias para absorver tantos que se formam depois de muitos anos de estudo.
O que tem visto no mundo, em termos de dança?
De tudo, inclusive dança-teatro.
O Brasil acompanha o ritmo mundial?
Sim, e se destaca com grandes méritos.
Quem se destaca?
Débora Colker, que recentemente ganhou em Londres o Oscar da dança.
Ainda é necessário estudar fora?
Hoje em dia não é mais preciso, pois até exportamos nossos bailarinos que enriquecem as companhias estrangeiras.
O que ainda nos falta?
Nos faltam companhias, bons salários e campo de trabalho, pois dança temos de sobra.
O balé contemporâneo faz parte dos seus planos?
Acabei de dançar uma obra criada para mim pelo Tíndaro Silvano, para a comemoração dos 92 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, quando dançei de tênis.
O que a atrai mais no balé clássico?
O desafio de manter viva a tradição dos grandes clássicos.


