Estréias tomam conta dos palcos da cidade; os destaques são as comédias
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 19 (AE) - A melhor defesa é o ataque, diz a sabedoria popular. Parece que diretores e atores resolveram aplicar essa estratégia. Apesar da propalada e real dificuldade de conseguir patrocinadores, esta semana está repleta de estréias teatrais. Melhor para o público de São Paulo. Há espetáculo para todos os gostos nos palcos da cidade.
Para quem vê no teatro um bom programa para desopilar o fígado com gargalhadas a nova montagem de "5 x Comédia, Todo Prazer Quer Eternidade", com Cláudia Raia, Luiz Fernando Guimarães, Déborah Bloch, Diogo Villela e Miguel Magno, que estréia amanhã (20) no Tom Brasil é um boa opção. O espetáculo vem com novos esquetes, entre eles o interpretado por Cláudia Raia, uma dona de casa viciada em promoções, ou o quadro do candidato a stripper interpretado por Luiz Fernando Guimarães.
Gargalhada também é o que promete o espetáculo "Midnight Clowns", que na sessão de sábado, à meia-noite, no Teatro Cultura Inglesa de Pinheiros, contará com a participação muito especial de Cacá Rosset no monólogo "O Garanhão", inspirado em depoimentos do grupo sexólogos anônimos, do qual o ator "foi expulso por não ser anônimo".
Também na linha do humor, a atriz paulistana Nívea Maria apresenta-se pela primeira vez nos palcos da cidade na comédia "A Volta por Cima", texto do mexicano Emílio Carballido, que ficou em temporada durante oito anos no México. Dirigida pelo marido Herval Rossano, Nívea interpreta uma extravagante cabeleireira. "Cheguei a um ponto de minha carreira em que precisava ousar e essa personagem exuberante, extrovertida e engraçada é diferente de todas as que interpretei até hoje", comentou Nívea.
Saindo da linha do humor escancarado está O "Fingidor"
de Samir Yasbek, que estréia amanhã no Teatro Sérgio Cardoso. Quem ainda credita à falta de dramaturgos a tal "crise" do teatro brasileiro não deve deixar de assistir ao "O Fingidor", um texto instigante e lúdico, dirigido por Yazbek com ótimos atores no elenco, entre eles Hélio Cícero e Genézio de Barros. O autor constrói sua peça sobre a relação fictícia entre o poeta Fernando Pessoa, um renomado crítico teatral e sua empregada, num espetáculo que nada tem de recital, mas provoca uma interessante discussão sobre o sentido da criação artística.
E, de lambuja, a atriz Denise Stoklos volta a apresentar no Tuca o espetáculo "Desobediência Civil", com texto inspirado nas idéias do filósofo Henry Thoureau. Nos últimos minutos que antecedem a passagem para o ano 2000, a performer faz uma espécie de balanço do milênio num texto a um só tempo crítico e bem-humorado. Criticar para transformar é também a intenção explícita do empresário Antonio Ermírio de Moraes. Seu segundo texto teatral, "S.O.S. Brasil", tem como tema o descalabro da saúde pública no País e está em temporada no Teatro Faap. àpera - A crise do afeto, o individualismo, a indiferença com a violência são também alvo da crítica do inglês Mark Ravenhill na peça "Shopping e Fucking", que estreou esta semana no Sesc Pompéia, sob direção de Marco Ricca, com Silvia Buarque e Ricardo Blat integrando o elenco. Um espetáculo com o qual o diretor espera atrair aquela garotada que já passou da idade do teatro infantil, mas ainda não se habituou a frequentar o horário teatral noturno.
Nessa semana gorda nas artes cênicas, há até mesmo uma ópera na cidade. Don "Rigoletto", de Giuseppe Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave, estréia hoje no Teatro Municipal com direção cênica de Marga Niec e direção musical e regência do maestro Isaac Karabtchevsky. Para quem tem vontade de assistir à ópera, mas teme pelo fato de não ser iniciado na cena lírica, a dica é passar no Sesc Ipiranga e acompanhar com atenção o espetáculo "Zap, o Resumo da àpera". O objetivo de Marcelo Tas, diretor de Zap, é justamente conquistar os não-iniciados e torná-los amantes do gênero. Para tanto, misturou efeitos eletrônicos com belas vozes líricas para contar de forma didática e bem-humorada a história da ópera.


