Estréia tem salas lotadas; 60 mil pessoas devem ver o filme na Grande SP só no 1º dia
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 24 (AE) - Foi o fim de uma ansiedade que começou em novembro do ano passado, quando George Lucas colocou no site oficial do seu filme na Internet imagens inéditas da produção, uma espécie de trailer digital. Menos de 24 horas depois de o diretor divulgar as imagens, mais de 4 milhões de downloads do trailer foram realizados - o que significa que pelo menos 4 milhões de pessoas foram conferir.
"Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma" está em cartaz desde hoje em 75 salas da Grande São Paulo e em 340 salas de todo o País. Em 75 cinemas, e com algumas sessões ininterruptas, é provável que, até o fim do dia, cerca de 60 mil pessoas tenham visto o filme na Grande São Paulo. A distribuidora Playarte começou a vender ingressos para a primeira sessão do filme no dia 10 e em uma semana esgotou a cota. Ontem, no Shopping Iguatemi, os primeiros fãs começaram a chegar às 10 horas da manhã para a sessão que só iniciaria à meia-noite e um minuto.
Todo o agito mundial é engendrado por uma só mente: a de George Lucas, de 54 anos, bilionário e dono de um império capaz de satisfazer seus maiores caprichos - o que inclui produzir seus filmes de forma absolutamente pessoal em suas empresas, como a Lucasfilm, Industrial Light & Magic, Skywalker Sound e Lucas Entertainment. Lucas dispôs-se a fazer uma nova trilogia para completar a saga que resultou no seu clássico "Guerra nas Estrelas". "Episódio 1" narra o início dessa saga - a trilogia inicial contava a história de Luke Skywalker. Agora, ele conta a história do pai de Luke, Anakin, nascido menino escravo em Tatooine, um planeta de mercenários.
Anakin Skywalker é um predestinado. Ajudado por dois cavaleiros jedis - espécie de ordem antiga que reinstaura no espaço a mística dos rangers e xerifes do faroeste - ele vai ajudar a restabelecer a ordem numa galáxia assolada pela cobiça e a divisão étnica. O desafio de Lucas foi duplo: como contar uma história da qual todo mundo conhece o fim e como fazer uma ficção científica eletrizante sem ultrapassar o que já tinha imaginado - se fizesse isso, seria como tornar obsoleto o próprio futuro. Mas "Episódio 1" não se contrapõe, como ficção, aos seus antecessores - "Guerra nas Estrelas", "O Império Contra-Ataca" e "O Retorno de Jedi". Até porque esses filmes foram renovados com novas cores e efeitos pelo próprio diretor. Personagens familiares da antiga série "Guerra nas Estrelas", como o mestre jedi Yoda, os robôs R2D2, C3PO e o mercenário Jabba, o Hutt, estão de volta à cena, o que serve para reativar o velho culto nostálgico nos fãs da série. Novos personagens, como o atrapalhado anfíbio Jar Jar Binks (Ahmed Best), vieram para dividir as opiniões.
O décor do filme é deslumbrante. A cidade submersa onde vive Jar Jar Binks é uma Atlântica pacifista com inspiração art nouveau e visual estonteante. O reino da rainha Amidala (Natalie Portman) é uma mistura de palácios da Antiguidade com uma metrópole multicultural - existe até uma versão espacial do Arco do Triunfo. A crítica ficou dividida. Ou amou ou odiou. O respeitado crítico americano Robert Hughes chamou o filme de "abacaxi". Richard Corliss, do Daily News, disse que o filme carecia de "magia humana". Lucas retrucou, em entrevista recente: "É só um filme".


