Estréia promissora
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Dentro da onda do tal ''novo rock'' ianque, rótulo cunhado pela imprensa inglesa, o Interpol é um dos nomes-chave de um suposto novo levante do underground de Nova York, que inclui também Strokes, Yeah Yeah Yeahs e Moldy Peaches. Mas, ao contrário de seus colegas de vizinhança, que privilegiam sons garageiros, o quarteto se diferencia por um fascínio extremo pelo rock inglês dos anos 80.
Cada faixa de ''Turn On The Bright Lights'' (Trama), CD de estréia do Interpol, comprova essa preferência. Os vocais do bom cantor Paul Banks dão corpo a uma versão menos gutural de Ian Curtis, do Joy Division. Nos momentos mais exaltados, lembram Ian McCulloch, do Echo & The Bunnymen. As letras passeiam entre o humor negro e a auto-comiseração de Morrissey e o senso épico do próprio McCulloch (''você fica uma gracinha quando está frustrada, querida/ você fica uma gracinha quando está sedada, querida'', diz ''PDA'').
O som é puro pós-punk, com melodias trágicas escudadas por linhas volumosas de baixo e guitarras econômicas. Os gringos estão adorando. ''Turn On The Bright Lights'' entrou nas listas de melhores do ano de publicações como Mojo, Q e New Musical Express.
Por vezes, as canções beiram o enfadonho, principalmente quando o Interpol recicla em demasia os climas sombrios da década retrasada, como nas repetitivas ''Hands Away'', ''The New'' e ''Leif Erikson''. O quarteto se sai bem melhor quando se limita a sentar a pua, recurso que rende os grandes momentos do álbum (''Obstacle 1'', ''PDA'', ''Say Hello To The Angels'', ''Roland'').
E a coroa vai para ''NYC'', uma autêntica pérola sombria, com teclados e guitarras sobrenaturais, e uma interpretação solene de Banks, apropriada à letra, impenetrável: ''eu tinha sete rostos/ pensava que saberia qual usar/ mas eu estou cansado de passar estas noites sozinho/ treinando a mim mesmo pra não me importar''. ''Turn On The Bright Lights'' é uma estréia consistente. Se podar suas pequenas falhas, o Interpol pode adentrar o rol dos grandes nomes da década.


