Estreia premiada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Com 14 prêmios nacionais e internacionais no currículo, o filme "Boi Neon" estreia hoje no circuito brasileiro. Baseado na história de um vaqueiro nordestino que sonha em abandonar a vida de preparador de gado para se tornar estilista, o longa tem sido aclamado pela crítica especializada em todos os festivais de cinema dos quais vem participando. Os elogios se devem ao enredo que foge de antigos clichês ligados a gêneros sexuais e por mostrar a riqueza de uma região até então explorada apenas pelas mazelas causadas pela seca.
Protagonizada pelo ator Juliano Cazarré, a produção conta com a participação do londrinense Aníbal Jr., leiloeiro e narrador de vaquejadas que interpreta a si mesmo na telona. Em Londrina, o filme entra em cartaz nos cinemas Lumière do Royal Plaza Shopping.
Exibido em 30 festivais de cinema até o momento, "Boi Neon" estreou mundialmente em setembro do ano passado, no Festival de Veneza, onde recebeu o prêmio especial do júri na mostra Horizontes. Na sequência, o longa ganhou menção honrosa no Festival de Toronto e mais 12 prêmios em outros eventos cinematográficos promovidos em alguns dos 15 países onde será distribuído.
O filme conta a história do vaqueiro Iremar, interpretado pelo ator Juliano Cazarré que atualmente interpreta o funkeiro Merlô na novela "A Regra do Jogo". Iremar é um vaqueiro que prepara e limpa o rabo dos bois durante o dia, mas à noite sonha com figurinos de lantejoulas e costura roupas para a Galega (Maeve Jinkings), sua colega das vaquejadas, caminhoneira, dançarina e mãe de Cacá (a revelação Alyne Santana).
O elenco também conta com Vinicius de Oliveira ("Central do Brasil" e "Linha de Passe") e com o vaqueiro Carlos Pessoa. Para preparar o grupo, formado por de atores profissionais e não profissionais, o diretor Gabriel Mascaro contou com a colaboração da preparadora Fátima Toledo ("Cidade de Deus", "Tropa de Elite").
O longa busca quebrar preconceitos e estereótipos. O filme mostra que típicos machões nordestinos podem exercer profissões consideradas delicadas ou explorar vaidades sem que sua sexualidade seja questionada, e que uma mulher que trabalha como caminhoneira não precisa necessariamente ser masculinizada. Já as relações de afeto vividas pelos personagens centrais abrem debate sobre a convencional formação familiar formada apenas por pai, mãe e filhos.
O nordeste brasileiro também é explorado com novos contornos. Ao invés de focar em cenários de pobreza advindos da seca, o filme aborda uma realidade que está em fase de mutação econômica, social e cultural - representada no longa pelo processo de industrialização e pelo polo de confecção de roupas existente na região do semiárido, que serve de inspiração ao protagonista da história.
Segundo o diretor, o filme é uma pesquisa sobre corpo, luz e a transformação da paisagem humana. "'Boi Neon' lança uma nova luz sobre as transformações recentes do País a partir de um recorte narrativo que se apropria da vida de um grupo de vaqueiros que vivem na estrada transportando boi para as festas da Vaquejada, um dos maiores eventos de agrobusiness do Brasil. Tendo a vaquejada como palco alegórico, eu pesquiso as cores que reluzem as contradições do consumo e dilato noções de identidade e gênero em personagens que convivem com novas escalas de sonhos possíveis", afirma Mascaro.


