“Superman”, estreia sobrando em cartaz em Londrina, não é apenas um novo filme, nem mesmo o primeiro de uma potencial série de filmes. É o lançamento de um universo cinematográfico totalmente novo.

A série anterior de blockbusters de super-heróis da DC chegou a um fim melancólico em 2023: os quatro lançamentos do estúdio naquele ano foram “Shazam! Fúria dos Deuses”, “The Flash”, “Besouro Azul” e “Aquaman e O Reino Perdido” – e não houve como voltar atrás.

O chamado "Universo Estendido" da DC foi descartado, o que significava que Zack Snyder não poderia fazer mais épicos apocalípticos e miseráveis ​​estrelando Henry Cavill como Superman e Ben Affleck como Batman. Em seu lugar, James Gunn, que dirigiu a boa trilogia Guardiões da Galáxia para a Marvel, recebeu a tarefa de supervisionar os super-heróis da DC nas telonas e telinhas, além de escrever e dirigir o primeiro filme desta franquia reiniciada.

A pressão é grande, você pode pensar. O Superman salvou o mundo inúmeras vezes ao longo das décadas, mas agora carrega o destino de um universo sobre seus ombros.

Mas se o próprio Gunn sentiu essa pressão, não há sinais disso no filme que ele fez. O diretor não preparou as bases para o novo universo da DC com cuidado e delicadeza, e não se esforçou para criar uma história do Superman que fosse acolhida pelo maior público possível. Muito pelo contrário, na verdade. Repleto da estranheza nerd que definiu o filme anterior de Gunn na DC, “O Esquadrão Suicida”, sem mencionar as comédias de terror de baixo orçamento que fez antes de voltar sua atenção para os super-heróis, “Superman” é uma curiosidade que ele parece ter criado para seu próprio divertimento.

Resta saber se o filme irá divertir o público em geral.

A ideia mais marcante de Gunn é começar sua história não no começo, mas em algum lugar no meio, como se este fosse o terceiro ou quarto filme da série. Quando conhecemos o Superman, interpretado pelo saudável David Corenswet, ele já estava protegendo Metrópolis de supervilões há três anos. E já estava namorando sua colega do jornal “Planeta Diário”, Lois Lane (Rachel Brosnahan), e já era odiado por um bilionário careca fanático, Lex Luthor (Nicholas Hoult).

O que é mais incomum para um criador de franquias do Superman é que ele não é o único super-humano do mundo – ou "meta-humano", para usar o jargão do universo. Os outros personagens de primeira linha da DC – Mulher-Maravilha, Batman, Flash, Aquaman – aparentemente estão sendo salvos para seus próprios filmes, mas o Superman é ajudado e prejudicado pela eticamente obscura Gangue da Justiça, composta pelo arrogante Lanterna Verde (Nathan Fillion), o imperturbável Sr. Incrível (Edi Gathegi) e a taciturna Mulher-Gavião (Isabela Merced).

É uma abordagem divertida. A maioria de nós conhece a história da origem do Superman – nascido no planeta Krypton e criado em uma fazenda no Kansas –, então é emocionante pular tudo isso e ir direto para os super-heróis. Também é algo divertido ver Gunn adicionando todos os conceitos mais excêntricos da DC Comics. Os filmes do Superman de Snyder eram todos sobre escuridão, angústia e simbolismo bíblico, enquanto este apresenta Krypto, o Supercão branco e fofinho, e o grupo de assistentes robóticos do Superman usando capas – a quem ele genuinamente chama de "Robôs do Superman."

O filme em geral carece de capacidade de provocação, sempre a meio termo entre narrativa e interpretações
O filme em geral carece de capacidade de provocação, sempre a meio termo entre narrativa e interpretações | Foto: Divulgação

A intenção de reimaginar a série de filmes de DC resulta, em última instância, mais do mesmo caos de sempre de universos interconectados que, a estas alturas, está perigosamente perto de passar de moda. Mesmo com seu caos interno, “Superman” é um filme que parece ter alguma vida. É ágil, por alguns momentos, gracioso e tem certa frivolidade que o universo DC andava bem precisado, depois de tanta bobagem sombria e pomposa. O filme em geral carece de capacidade de provocação, sempre a meio termo entre narrativa e interpretações.

Mas enfim, é preciso muita coragem para tentar um sucesso hollywoodiano de bilheteria que vale um zilhão de dólares e que parece tanto um excêntrico filme B de ficção científica.

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