Estréia o indicado do Brasil ao Oscar
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Reportagem Local 
Candidato oficial do País para disputar uma das cinco vagas de filmes de língua não inglesa que concorrerão ao Oscar 2008, em fevereiro, ''Última Parada 174'' é uma das estréias de hoje no circuito brasileiro. Para se enquadrar nas normas da Academia de Hollywood, a produção teve sua estréia nacional estrategicamente antecipada para o mês passado em uma única sala em Jundiaí, interior de São Paulo, onde somente ficou por alguns dias. Agora, depois de passar por três grandes festivais - Toronto e Rio, em setembro, e nesta semana a Mostra de São Paulo -, o filme chega hoje às telas brasileiras (confira a programação de cinema na página 2).
Dirigido por Bruno Barreto, o roteiro de Bráulio Mantovani retoma a tragédia assistida ao vivo por toda a nação em rede nacional de tevê em junho de 2000, no Rio, quando um sequestrador, Sandro do Nascimento, manteve como reféns, por várias horas, um grupo de passageiros de um ônibus de transporte urbano. Ao final do dia, a jovem Geisa Gonçalves foi morta pelo rapaz. Que acabou morto por policiais na viatura, depois de preso e imobilizado.
A tragédia comporta uma série de fatos preliminares e convergentes: o assassinato da mãe de um dos garotos focalizados pelo filme, o abandono de menor, o tristemente lembrado massacre dos meninos de rua diante da igreja da Candelária, ocorrido em 1993 (o sequestrador era um dos sobreviventes) e a trajetória perdida de dois meninos vindos da pobreza e mergulhados na criminalidade (Michel Gomes e Marcello Melo Jr.).
O assunto já tinha sido abordado pelo cinema em ''Ônibus 174'', documentário de José Padilha, o realizador de ''Tropa de Elite''. Verdadeira aula do gênero, o trabalho de Padilha, como sempre quando o assunto é retratar o viés incômodo da realidade, não teve distribuição nacional à altura de seu valor - infelizmente não surgiu nem mesmo alguém para piratear uma cópia e transformá-lo em fenômeno, como ocorreu com ''Tropa''.
Estranha, maldita coincidência: ''Última Parada 174'' chega ao circuitão comercial no momento preciso em que fato semelhante ainda mantém em chaga viva a polêmica ''sequestro com vítima''. Da mesma forma que Sandro do Nascimento teve sua história pessoal e sua automitificação como endemoniado, o mesmo já ocorre com Lindemberg Alves, responsável pelo episódio de Santo André que culminou com a morte da garota Eloá. Nada termina, tudo recomeça.


