Dorico da SilvaValéria Brum e Lúcia Feronha: mostra reúne 24 xilogravurasAbre hoje, às 20 horas, no Espaço Cultural Banestado, em Londrina, a exposição ‘‘Duas Gravadoras Dizem: Presente!’’, com as artistas plásticas londrinenses Valéria Brum e Lúcia Feronha. A mostra reúne 24 obras em xilogravura e pode ser visitada até o dia 25.
Esta é exposição de estréia das duas artistas que começaram a trabalhar com gravuras há apenas um ano, no ateliê do artista plástico Paulo Mentem. Mas que ninguém espere produções amadorísticas. Embora com pouco tempo de estrada na carreira artística, as duas apresentam trabalhos de peso - seja pelo domínio da técnica ou simples talento.
Ao todo, a exposição apresenta duas séries: 12 gravuras da série ‘‘Angelus’’, de Lúcia Fenhora; e outras tantas na série ‘‘Sem Terra’’, de Valéria Brum. Mesmo com temas diferentes e linguagem diversa, as duas séries interagem. Talvez pelo fato de as artistas serem amigas e terem começado juntas na árdua trilha da gravura - somente depois dos filhos criados -, ou simplesmente porque ambas trazem muito do desenho clássico em sua bagagem cultural.
O tradicional e o inovador O desenho, aliás, salta das gravuras para pegar o observador de surpresa, em traços firmes e limpos. A série ‘‘Sem Terra’’ - no estilo mais tradicional da xilo, com seu claro/escuro característico - foi baseada em fotos de jornais sobre o Movimento Sem-Terra. ‘‘Foi um estudo que fiz, uma interpretação minha sobre as fotos. Escolhi os sem-terra porque sou sensível aos problemas sociais e este é, na minha opinião, um dos mais graves da atualidade’’ - diz Valéria. Para ela, a arte é uma das melhores formas de mostrar suas preocupações. ‘‘O que a gente não consegue expressar com palavras pode expressar na arte’’ - afirma.
O trabalho de Lúcia, porém, é o que mais traz inovação em termos de cores e matrizes. Embora seguindo a técnica milenar da xilo (placa de madeira entalhada), Lúcia inova através de matrizes ‘‘recortadas’’, criando uma espécie de quebra-cabeças. ‘‘Em vez de usar uma matriz compacta, em placa única, eu as corto e utilizo os vários pedaços em vária gravuras, fazendo composições. Isto permite que possa trabalhar a cor, que é um elemento importante para mim’’ - afirma.
O tema de deste trabalho (anjos) não foi, segundo ela, planejado. Apenas surgiu. ‘‘Não é uma coisa de modismo, há muito tempo venho trabalhando com anjos porque são figuras expressivas e que oferecem bastantes recursos na gravura’’ - afirma. Para ela, o tema não é importante. ‘‘É apenas um meio para desenvolver o trabalho. E eu nunca o escolho, ele apenas surge’’ - diz.
Embora esta seja a primeira exposição das duas - sem contar a participação no 13º Salão Banestado de Artistas Inéditos, ano passado em Curitiba, do qual participaram com dois quadros, ‘‘só o fato de sermos selecionadas foi um prêmio’’, diz Valéria -, as artistas sempre estiveram ligadas, de uma forma informal, às artes plásticas. Lúcia e Valéria desenham desde criança, sem nenhuma formação acadêmica até há pouco tempo. Lúcia, professora de Educação Especial do ILECE, é portuguesa de nascimento mas reside em Londrina desde os sete anos. Valéria, londrinense, tem formação em Música, com habilitação em Piano. Ambas sempre quiseram se dedicar às artes plásticas mas tiveram que esperar. ‘‘Agora o sonho começa a se realizar’’, afirma Valéria.
q Duas Gravadoras Dizem: Presente! - das artistas Valéria Brum e Lúcia Fenhora - abertura hoje, às 20 horas, no Espaço Cultural Banestado (Av. Bandeirantes, 500), Londrina. A exposição pode ser visitada até dia 25, das 9 às 17h30, de segunda a sexta. Os trabalhos estarão à venda.

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