São Paulo, 22 (AE) - Comemorando 30 anos de carreira, a atriz Ariclê Perez estréia nesta quinta-feira na Série Solos de Teatro do Sesc Ipiranga o espetáculo "Vestidos", com direção de interpretação de roteiro de Paulo Autran e direção geral de Regina Galdino, mesma diretora do premiado solo "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Cassio Scapin.
Passaram até agora pela série Solos de Teatro, cujo objetivo é apresentar espetáculos centrados no trabalho do ator, artistas reapresentando monólogos bem-sucedidos em sua carreira, entre eles Fernanda Montenegro, com "Dona Doida", Gilberto Gawronski, com "A Dama da Noite", e Denise Stoklos, com quatro peças de seu repertório.
"Vestidos", com Ariclê, será o primeiro espetáculo a estrear na série. O roteiro mescla o Caso do Vestido, poema de Carlos Drummond de Andrade que inspirou o nome do espetáculo, com trechos de peças como Dança da Morte, de August Strindberg, Hamlet, Otelo e Macbeth, de Shakespeare, A Louca de Chaillot, de Jean Giraudox, e Casa de Bonecas, de Ibsen. Há ainda duas cartas do Diário de Anne Frank e textos bem-humorados como Persuasão, da Comédia da Vida Privada, de Luis Fernando Veríssimo.
"Procurei textos para uma boa atriz interpretar", afirmou Autran sobre o critério de escolha. Juntos, diretor e atriz trabalharam a interpretação, mas, como Autran está viajando com a peça "O Crime do Dr. Alvarenga", Ariclê convidou Regina Galdino para conceber o espetáculo no palco. A opção foi pela simplicidade, um figurino básico e alguns elementos de cena servem de suporte para marcar os diferentes momentos do espetáculo, centrado, dentro do espírito da série, no trabalho de Ariclê.
Os conselhos de Shakespeare aos atores, retirados de uma das falas de Hamlet, abrem o espetáculo. "Foi o único texto que eu escolhi e fiz questão que entrasse na abertura", diz Ariclê. O personagem aconselha aos atores que vão apresentar-se em seu palácio a serem verdadeiros e simples em sua atuação, ajustando o gesto à palavra para não perder a naturalidade. "Será uma espécie de prece", diz a atriz, já antecipando o tom desejado no palco.
Há 30 anos, Ariclê iniciava uma carreira teatral com pé direito. Em 1967, ela integrava um grupo amador, o Teatro do Estudante, de Campinas, no qual participou de uma montagem de "Electra". "A peça foi apresentada em São Carlos, porque na época o prefeito havia mandado demolir o Teatro Municipal de Campinas, um absurdo", recorda Ariclê.
Interpretando o corifeu em Electra, recebeu um elogio que mudaria sua vida. "Décio de Almeida Prado foi até São Carlos e elogiou a qualidade de minha atuação." Crítico do Gripo Estado, Décio era o mais prestigiado na época. "Eu acreditei, fiz as malas e vim para São Paulo", diz a atriz. Em pouco tempo, já integrava o elenco de espetáculos memoráveis, entre eles "Hair", sob direção de Ademar Guerra. "Procurei Paulo Autran porque queria não sei se comemorar, mas celebrar esses 30 anos; o convite do Sesc veio a calhar e estou muito feliz em subir novamente ao palco", afirma a atriz. "O espetáculo está muito bonito", diz Autran, que assistiu a alguns ensaios já sob a direção de Regina Galdino. De 5.ª a sáb., às 21h e dom., às 20h, apresentação do espetáculo Vestidos, monólogo com Ariclê Perez, direção de interpretação de Paulo Autran e direção geral de Regina Galdino. R$ 10,00. Sesc Ipiranga R. Bom Pastor, 822. 3340-2000. Até domingo.

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