Estreantes e veteranos no Prêmio Jabuti 99
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sábado, 24 de abril de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 25 (AE) - Entre 45 finalistas, foram anunciados na noite de sexta, na abertura oficial do Salão Internacional do Livro de São Paulo, os grandes vencedores do ano do Prêmio Jabuti 99. O júri, após selecionar três premiados em 15 categorias, divulgou os melhores livros de ficção e não-ficção. Os dois vencedores receberam cada um R$ 12 mil e o título de Livro do Ano.
O Livro do Ano na categoria ficção foi o romance "Cabra-Cega", do estreante Carlos Nascimento Silva, da editora Relume-Dumará. O Livro do Ano de não-ficção foi a biografia "As Barbas do Imperador - D. Pedro II, um Monarca nos Trópicos", de Lilia Moritz Schwarcz, pela Companhia das Letras.
Na categoria reportagem, o primeiro lugar foi para Luiz Maklouf Carvalho, com "Mulheres Que Foram à Luta Armada", da editora Globo. Em segundo lugar, ficou a colaboradora do jornal "O Estado de S.Paulo", Simonetta Persichetti, com o livro "Imagens da Fotografia Brasileira", e em terceiro, Alberto Guzik, crítico do "Jornal da Tarde", com "Paulo Autran, um Homem no Palco".
Participaram da premiação dois ministros de Estado: o da Cultura, Francisco Weffort, e o da educação, Paulo Renato Souza. Weffort destacou em seu discurso que, apesar da "pobreza e obscurantismo", há uma "tremenda ansiedade pelo livro no Brasil". Ele lembrou que, quando do lançamento, pela editora Globo, da série "Os Pensadores", o número um da série (Platão)
vendeu 400 mil exemplares.
"Alguns amigos me disseram que é o gosto pela superfície, por ilustrar a sala de visitas", disse o ministro. "Eu não creio nisso; eu creio que o povo sabe reconhecer onde está a verdadeira cultura e costuma ir em direção a ela, embora nem sempre tenha meios".
A entrega por ordem de classificação dos três premiados em cada categoria revelou algumas "zebras" literárias. Na categoria Poesia, por exemplo, o favorito "Crisantempo" (editora Perspectiva), de Haroldo de Campos - que acaba de ganhar o Prêmio Octávio Paz, um dos mais importantes do mundo -
perdeu o primeiro lugar para "Invenção do Mar" (Record), de Gerardo Mello Mourão.
Na categoria Ciências Humanas, Eduardo "Peninha" Bueno
festejado autor de "A Viagem do Descobrimento" (Objetiva) perdeu o primeiro posto para Hilário Franco Júnior, autor de "Cocanha" (Companhia das Letras). Curioso notar também que, em sua própria categoria (Ensaio e Biografia), a grande vencedora da noite, Lilia Moritz Schwarcz, perdendo o primeiro lugar para "Os Males da Ausência" (Topbooks), de Maria José de Queiroz.
A veterana Tatiana Belinky, escritora de livros infantis
levou o prêmio especial "Amigo do Livro". Bem-humorada, ela comentou que o prêmio "é um presente para comemorar os 80 anos que fiz ainda outro dia".


