Estreando na ficção
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 1997
Nelson Sato 
Paulo WolfgangJuliano B. Alves: Estou apostando num público jovem. Por isso, procurei tornar a linguagem bem acessívelSe quem lê, viaja, como apregoam os criativos anúncios da TV, imagine quem escreve. O londrinense Juliano B. Alves viajou ao ano 2030 para dar cabo de seu primeiro livro em prosa, intitulado Tempos Futuros, lançado esta semana pela editora Banca Leia.
O autor tem 17 anos, e já prepara um outro livro, só que dessa vez de poesia. Juliano faz sua estréia literária incursionando pela ficção científica, gênero que considera pouco explorado no Brasil. Sua narrativa, contudo, não apresenta batalhas épicas estelares nem é invadida por ETs e alienígenas.
Apesar de ser futurista, a trama gira mais em torno do dia-a-dia dos personagens e suas relações com o Poder - explica, filiando seu estilo à chamada literatura de antecipação. O autor conta que a idéia do livro surgiu há três anos, quando começou a colher dados históricos para escrever um texto sobre a cidade de Londrina.
A pesquisa, inspirada pela peça de teatro Bodas de Café (levada aos palcos pelo grupo local Proteu e que contava a história da cidade da época da colonização até a década de 80), acabou estimulando vôos à imaginação para outro projeto.
Observando o passado e o presente, as transformações ocorridas na cidade e no mundo, fiz um exercício de futurologia imaginando como seria Londrina depois do ano 2000 - lembra. Foi o ponto de partida para começar a desenvolver o romance, em cujas 40 páginas tenta se aproximar de escritores que o influenciaram como H.G.Wells e Isaac Asimov.
O universo da ficção aparece também nos títulos de alguns capítulos em citações como A verdade está lá fora (referência ao seriado televisivo Arquivo X) ou Admirável Mundo Novo (homenagem à famosa obra de Aldous Huxley). No livro, Juliano projeta um futuro sombrio.
Servidão A história é ambientada no ano 2030, numa cidade chamada Pequena Londres onde os habitantes são subitamente sacudidos por um acontecimento que poderá desencadear uma revolução planetária. O mundo está interligado pela Rede de Comunicação Planetária, anteriormente chamada de Internet.
A ciência avançou a ponto da exploração do espaço propiciar a instalação de uma colônia terrestre na Lua, viagens à Marte e a criação de uma estação orbital (UTOP-1) em torno da terra que representaria um pacto de paz entre os países.
ReproduçãoTempos futuros: livro é dirigido para a garotada que é fã de ficção científica
A população é vítima de governos que patrocinam políticos e cientistas em projetos secretos de controle e dominação, em que drogas são experimentadas com o objetivo de sujeitar o povo a amar a servidão. Um grupo de rebeldes, no entanto, ameaça tomar o Poder. A história mostra um futuro apocalíptico e ao mesmo tempo esperançoso - diz o escritor.
Juliano diz que a ficção científica já teve dias melhores no Brasil. Acha que hoje o gênero está limitado às histórias em quadrinhos. Com esse livro, quero ajudar a difundir esse tipo de literatura que anda esquecida. Estou apostando num público jovem de leitores. Por isso, procurei tornar a linguagem bem acessível - revela.
Tempos Futuros chega às livrarias com uma tiragem inicial de 1.000 exemplares. Para divulgá-lo, o autor planeja percorrer os colégios de Londrina.


