Não é só na guerra ou no mercado de negócios, com a ajuda do departamento de marketing, que se usa de estratégias para vencer o inimigo, um concorrente, para tornar mais atraente um produto e chegar ao público para contemplação ou consumo. Na arte, para a realização e expressão de um trabalho, também é fator determinante do sucesso ou do fracasso a estratégia adotada, de acordo com os objetivos que se quer atingir. Claro, aqui não se trata da estratégia corporativista e clientelista de formação das chamadas ‘‘panelinhas’’, que inundam mostras e acervos em galerias e museus com obras de qualidade duvidosa, mas de uma outra, pertencente à própria concepção do fazer artístico.
Para uma estratégia de criação e apresentação de um trabalho de arte, Oswald de Andrade já propunha, em 1924, em seu manifesto da Poesia Pau-Brasil, que era ‘‘contra a cópia, pela invenção e pela surpresa’’. Quer seja um pequeno detalhe ou o fundamento de um processo, cada intenção do autor deve ser explícita e clara para que o trabalho una força de expressão aos meios adequados de linguagem, não importa se em uma tela, um poema, ou uma instalação.
Muitos usam o recurso de elaborar projetos e maquetes, por exemplo, como o artista búlgaro Christo, que, uma vez feitos os desenhos preliminares, sai em busca dos recursos necessários para o empacotamento, em grandes escalas, de edifícios, pontes e até ilhas inteiras, que serão posteriormente cobertos com lonas coloridas.
Outro tipo de estratégia pode ser a de submeter o próprio sistema institucional da arte a situações paradoxais, como foi o caso do artista paulistano, atualmente residindo no Rio de Janeiro, Nelson Leirner, que enviou um porco empalhado para o Salão Nacional de Arte, há três décadas, e foi aceito. Sua estratégia, no caso, foi a de questionar o júri do Salão por ter aceito um porco empalhado em um salão de arte. Outro que aprontou também foi Artur Barrio, que em 1970 enviou um trabalho para o Salão de Verão inscrito na categoria de desenho como lixo, mas que os selecionadores aceitaram como obra de arte. O artista então, na abertura da mostra, distribuiu folhetos condenando a atuação do corpo de jurados do Salão. E Newton Goto, de Curitiba, criou uma instalação que simulava uma decisão do júri de um salão, onde slides eram projetados na parede da galeria, com as regras que uma obra deveria seguir para ser aceita naquele Salão.
Subverter a estrutura do sistema de arte, aliás, tem sido uma estratégia (um prazer?) constante adotada pelos artistas desde que Marcel Duchamp inverteu a posição de um urinol e o mandou, com pseudônimo de R. Mutt, para o Salão dos Surrealistas, em 1917, em que ele próprio era um dos jurados.
Fora esses tipos de estratégias, outras tem sido estabelecidas, geralmente retirando a certeza e a objetividade do observador diante daquilo que ele acredita saber, ou diante de sua curiosidade de querer saber o que se passa. Se a arte é parte do cotidiano, que seja para lhe despertar sentido. O que é uma maneira de valorizar a qualidade do trabalho artístico e arrebatar o público com ‘‘invenção e surpresa’’.
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