ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA - Quanto vale 1 Joaquim Money?
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Com o objetivo de estimular o interesse pela aprendizagem da língua inglesa nos 200 alunos do quarto e do quinto anos da Escola Municipal Joaquim Vicente de Castro, de Londrina, a professora Flaviane Baraldi Bonacin desde o começo do ano está aplicando o Projeto Joaquim Money, que também envolve conceitos de educação financeira. "Foi a primeira vez que estaríamos trabalhando com uma turma do quinto ano e, principalmente pela faixa etária que eles estão, me vi na obrigação de procurar uma forma diferenciada de apresentar o inglês para eles", comenta a professora.
Na fase inicial, os alunos foram convidados a elaborar com desenho feito a mão ou pelo computador o layout da cédula do Joaquim Money, que poderia ser utilizado como moeda de compra em bazares organizados na escola. A ideia criativa acabou envolvendo também as famílias dos alunos, que ajudaram na pesquisa para a confecção dos desenhos.
O grande vencedor foi o aluno Vinícius Alves Lino dos Anjos, 11 anos, que na sua versão de Joaquim Money destacou a importância da educação - na frase que ilustra a nota - e fez questão de valorizar a bandeira brasileira. "Os alunos podiam desenhar animais ou outros símbolos que achassem importantes, assim como escrever frases a exemplo do que vem escrito nas notas brasileira e americana", explica Flaviane. Como prêmio, Vinícius ganhou uma bicicleta nova.
Com o dinheiro pronto e várias cópias reproduzidas, foi no dia a dia de sala de aula que a professora Flaviane deu continuidade ao projeto. A cada aula, o bom comportamento e a realização das tarefas rendiam um Joaquim Money para a felicidade dos alunos. Quem não cumpre as regras predefinidas, fica sem receber nada. E a iniciativa está dando certo: em pouco tempo o nível de envolvimento dos alunos mudou e bons frutos já estão aparecendo.
"O interesse aumentou tanto que eu até criei uma turma extra de inglês para um grupo de 15 alunos que se destacaram", afirma a professora. "Algumas pessoas me criticaram pela iniciativa, dizendo que os alunos deveriam ser estudiosos e dedicados sem esse tipo de estímulo, mas na prática não há como negar que eles melhoraram e estão aprendendo mais, inclusive mais autoconfiantes, sem medo de falar e errar", observa a professora, que sempre inicia sua aula com a oração do Pai Nosso em inglês, que as crianças sabem de cor.
Como parte da segunda etapa do projeto, nos dias 16 e 17 de maio os alunos participaram de um bazar realizado na biblioteca da escola onde puderam fazer compras com as notas de Joaquim Money que conseguiram acumular no primeiro bimestre. Alguns alunos até trocaram lanche por Joaquim Money como uma estratégia para ter como comprar mais; outros já compraram em parceria para dividir ou compartilhar o objeto adquirido.
Durante o horário da aula, que dura 50 minutos, a oportunidade de escolher diversas opções de compra a preços modestos como material escolar (como cola, lápis, canetinha), brinquedos, produtos de higiene pessoal (como escovas de dente) e guloseimas (pipoca, pirulito, balas) - que foram a aquisição preferida das crianças. Os produtos foram adquiridos com a colaboração de todos os professores da escola.
Em clima de brincadeira, os alunos podem utilizar conceitos matemáticos, de inglês e até de consumo para aprender a lidar com a vontade de "comprar tudo" e saber qual a melhor forma de gastar o "dinheiro" adquirido com esforço e dedicação. Nos próximos dias 27 e 28 de junho um novo bazar deverá ser organizado na escola.
"Pretendemos ampliar o projeto para toda a escola, mas para isso teríamos que ter patrocínio. Chegamos até a mandar uma carta para a Receita Federal para 'vendermos' parte dos produtos apreendidos, mas ainda não temos nada definido", adianta Flaviane, que durante o bazar ficou no "caixa".
Para a diretora Roseli Aparecida de Lima Santos, o projeto interdisciplinar foi importante por também tratar de cidadania. "Os alunos estão realmente motivados agora e é nossa obrigação procurarmos estratégias mais interessantes para envolver os alunos no processo de aprendizagem."
No próximo semestre, a escola irá realizar a segunda edição do "Soletrando em Inglês" com alunos do terceiro ao quinto ano. A atividade também envolve a família dos alunos que colabora com a memorização prévia da lista de palavras em inglês que poderão ser solicitadas na competição. Como prêmio, os alunos recebem jogos pedagógicos.
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