O experimentalismo pop tem poucos adeptos no Brasil. O cantor, compositor, multiinstrumentista e cineasta Jupiter Apple é um dos estranhos no ninho. Começou nas bandas gaúchas TNT e Cascavalletes para depois enveredar pela carreira solo em discos tão inventivos quanto desconcertantes.
''Hisscivilization'', seu novo álbum, dá continuidade à psicodelia radical. Chega às lojas fundindo lisergia, melodia francesa, rock progressivo alemão, trilha de cinema, indie dance e bossa nova. Soa como uma síntese dos discos anteriores ''A Sétima Efervescência'' (1997) e ''Plastic Soda'' (1999), emprestando referências de um e outro para construir seu futurismo retrô.
A novidade, desta vez, é a influência flagrante da banda Stereolab em grande parte do repertório. De cara, melodia e arranjos instrumentais familiares carimbam os 11 minutos e 29 segundos de ''The Homeless and the Jet Boots Boy'', a faixa de abertura. O artista não é nada discreto, decalcando até trechos de letras em francês e vocalises singelos à base de ''pá, pá, pás'' que costumam matizar as composições do grupo britânico.
Ecos da fonte espalham-se em faixas como ''Pyrus Malus et Fragaria Vesca'', ''Act not Surprised'', ''An Old Road'', ''Overture and Something Else'' e ''Civilization''. Para as gravações, Jupiter Apple contou com as colaborações de Talitha F. Jones (vocais), Biba Graef (vocais), Astronauta Pinguim (moog), L. Bolobang (bateria) e alguns músicos de ocasião.
O lançamento é do selo Voiceprint, comandado pelo músico Fábio Golfetti (da banda Violeta de Outono), que toca cítara em uma das faixas.
Serviço:
CD ''Hisscilization''. Jupiter Apple. Gravadora Voiceprint (tel. 11/5533-5908).

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